Pedro Gonçalves voltou a revelar-se decisivo na equipa leonina. Foto Miguel Nunes
Pedro Gonçalves voltou a revelar-se decisivo na equipa leonina. Foto Miguel Nunes

Cada especialista marca à sua maneira e lá vai o leão firme na perseguição (crónica)

Cinco grandes golos e um lance inusitado — Suárez assume não ter sofrido penálti assinalado pelo árbitro e acaba 'amarelado. Nova vitória do Sporting na perseguição ao primeiro lugar do campeonato.

Num jogo com cinco grandes golos, em Alverca, o Sporting viu os seus especialistas finalizadores fazerem as coisas da forma que melhor sabem e mantém a perseguição ao primeiro lugar da Liga. Pote (por duas vezes), Geny e Suárez marcaram para os visitantes, Marezi teve outro momento alto ao reduzir para os donos da casa.

Na jogada anterior a marcar o 2-0, num potente remate à entrada da área, Luis Suárez fez algo raramente visto (se é que alguma vez visto) a este nível: João Pinheiro assinalou penálti por alegada falta sobre ele e o colombiano assumiu que não tinha sido travado pelo guarda-redes do Alverca, André Gomes. Acabou com um cartão amarelo, em vez de um merecido cartão branco. Mas já lá vamos.

Sem surpresas de ordem tática, o Alverca aplicou a habitual linha de três defesas, que em situação de posse de bola do adversário se transformava rapidamente numa defesa a cinco, capaz de cobrir os principais focos de ameaça leoninos. Os donos da casa entraram soltos e deixaram no ar a ideia de que gostariam de incomodar o último reduto visitante através de lançamentos longos para Chiquinho na esquerda, sobretudo.

Não tardou, porém, o Sporting a exercer domínio territorial e a guardar a bola na maior parte do tempo, logo a partir dos dez minutos. Com muita paciência na circulação, sem pressas especiais de romper pela defesa ribatejana dentro, capaz de avançar e recuar para novas tentativas, percebendo a sobrelotação das zonas interiores e a disciplina defensiva do Alverca.

Aos 22 minutos chegou o golo leonino, precisamente na exploração dos flancos, no caso o esquerdo. Morita a cair na linha, Nuno Santos a servi-lo, Lincoln a conseguir intercetar o cruzamento mas depois... bola para Pedro Gonçalves reativar a especialidade dos famosos passes à baliza, aplicando um remate daqueles não muito fortes mas que fogem a toda a gente, sobretudo ao guarda-redes, até a bola perfazer a curva que a faz entrar na baliza.

Pouco depois, o infortúnio voltou a bater à porta de Nuno Santos. Regressado à titularidade 512 dias depois de grave lesão, a exibir-se a contento, ficou agarrado à coxa esquerda após um passe. Percebeu que tinha rasgado e chorou. Entrou Vagiannidis, que não tem culpa nenhuma do que aconteceu a seguir: a partir da meia hora, sensivelmente, o Sporting perdeu clarividência, deixou de ser perigoso no ataque e deixou que o Alverca se fosse aventurando para mais perto da área de Rui Silva. Oportunidade a sério, até ao intervalo, houve talvez uma (cabeceamento de Sandro Lima a rasar o poste), mas os avisos foram ficando. Se o leão não voltasse a impor-se no reatamento, preferindo a perseguição do 2-0 à manutenção do 1-0, arriscava-se a ter dissabores.

Mas o Sporting impôs-se, e cedo: ao segundo minuto da segunda parte é assinalado o tal penálti que não era e terminou com Suárez castigado em vez de louvado. Num momento de justiça poética, a jogada seguinte deu o 2-0 aos leões no tal grande golo do colombiano, que ficou a olhar para o árbitro sem festejar.

O jogo foi andando, depois do 2-0, claramente ao ritmo que interessava aos bicampeões. Domínio firme, ainda que pouco eletrizante. Aos 68 minutos Geny saiu da direita para o meio e cá vai disto com o pé esquerdo, como tantas vezes se lhe viu. O Alverca tinha operado substituições pouco antes, mas o jogo ficou resolvido de vez. Marezi, uma das novidades, ainda reduziu aos 83 minutos, mas pouco depois Pote selou uma bela tarde/noite com golo de livre direto marcado desde a lateral da área.

Vitória mais do que justa do Sporting, com um Alverca de boas ideias incapaz de travar a superioridade do adversário.

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