Bodo, o FC Porto e um Suárez que tira as saudades de Gyokeres: tudo o que disse Rui Borges
- Que análise faz ao jogo?
- Entrámos bem, fortes, criámos desconforto ao Estoril e não os deixámos ganhar confiança com bola, porque são muito bons nesse capítulo. E em posse, fomos sendo muito dinâmicos, que é a nossa imagem de marca e conseguimos fazer dois golos muito cedo, a atacar as costas da defesa do Estoril. A segunda parte foi diferente porque começámos a falhar muitos passes logo quando ganhávamos bola. O Estoril foi ganhando confiança e conseguiu chegar mais vezes próximo da nossa baliza com bola. A defesa fez um grande jogo, sobretudo o Gonçalo Inácio. Acho que foi dos melhores jogos dele, com bola e sem bola. E a equipa manteve-se ligada, mas com demasiada obsessão pela baliza quando tínhamos bola a querer chegar demasiado cedo. A malta que entrou depois trouxe-nos a calma que faltava e com bola e ficámos melhor.
- Porque não jogou Pote? Estará disponível para o FC Porto?
- O Pote não entrou por não se sentir a 100 por cento e optámos por não o expor e gerir a situação física dele. Estava convocado, o que significa que estava apto para o jogo e estará para o FC Porto. Tem treinado bem, apenas decidimos por precaução não o utilizar. Gosto muito de ouvir o atleta e aquilo que ele sente e não quisemos arriscar.
- Que sentimento teve ao ver o terceiro golo, construído por Nuno Santos e Bragança, que vieram de paragens longas?
- Senti que infelizmente a vida dá-nos lesões. Gostava que nenhum deles tivesse passado pelo que passou, porque são jogadores fenomenais. O trabalho do Bragança no golo foi excecional, mas o passe do Nuno parece fácil, porque é ele a fazer. Ele vai levar tempo a voltar a ser o melhor Nuno, mas vai conseguir, porque trabalha como ninguém. Fico feliz por vê-los aos dois porque é importante tê-los dentro do relvado. São jogadores que fazem falta lá dentro.
- Com Morita a crescer e Daniel Bragança a aparecer, o João Simões começa a perder algum espaço?
- Não. O Simões até entrou antes do Dani. Tem a ver com o adversário. O Morita fez uma 1.ª parte e um início de 2.ª parte estrondosos. Fez um belíssimo jogo, correu quilómetros e está a recuperar a forma física que lhe faltava por causa da lesão. Mas o Simões entrou muito bem, tal como o Dani, que está a crescer na confiança depois de uma paragem longa.
- Luis Suárez marcou mais dois golos. Ainda sente saudades de Gyokeres?
- Nada disso. Conto com os que tenho. O Suárez fez mais um grande jogo, mas perdeu mais bolas do que é normal para ele, e ao intervalo estava descontente por isso mesmo. Mas ele é o espelho do coletivo, nunca é o contrário.
- Luís Guilherme voltou a ser titular. Apesar de ter chegado há pouco tempo já o vê como indiscutível?
- Não há indiscutíveis, mas ele tem vindo a crescer está cada vez mais identificado com o Sporting e a nossa maneira de jogar. Já disse que acho que é um miúdo que vai ter um futuro fantástico, mas vai ter de trabalhar muito, porque se em algum momento achar que não tem de trabalhar devido à qualidade que tem, vai sentir dificuldades porque está num clube com muitos bons jogadores. É jovem, está no bom caminho e ainda bem que o temos do nosso lado.
- O Sporting vai defrontar Bodo/Glimt na Champions. O que achou do sorteio?
- É uma grande equipa que tem ganhado a grandes equipas da Europa. Desengane-se quem pensa que foi um bom sorteio, porque não foi. Temos de os respeitar porque são uma equipa muito difícil. Mas ainda temos dois jogos antes.
- O Sporting atravessa um bom momento. Sente que é favorito no jogo frente ao FC Porto?
- Os jogos estão difíceis para todos. Ganhámos cinco ou seis jogos seguidos com golos nos últimos minutos. O futebol está muito competitivo. É um jogo entre as duas equipas que estão na frente do campeonato, queremos muito defender um titulo que é nosso, mas vamos jogar contra a equipa que lidera o campeonato, por isso também está a atravessar um bom momento.
- FC Porto ganhou com um penálti polémico. Viu o lance? Acha que as arbitragens podem condicionar a fase final do campeonato?
- Não vi. Só me foquei no meu trabalho. Fizemos o nosso papel, ganhámos. No final se verá o que conseguimos alcançar. Não falo de arbitragens.