O golaço de Daniel Bragança (Foto: MIGUEL NUNES)
O golaço de Daniel Bragança (Foto: MIGUEL NUNES)

O golo mais rápido da época e o tradicional golinho no final (crónica)

Leões marcaram dois golos até aos 20 minutos, o que só uma vez acontecera em 25/26. E, para não fugir à quase regra dos últimos tempos, mais um no período de compensação

Minuto 6: 1-0. O Sporting chegou muito cedo ao golo, como nunca acontecera esta época. Marcaria, pouco depois, o 2-0, ambos os golos com a assinatura do colombiano do costume. Tanto se andou a falar que o Sporting era lentinho a chegar ao golo, múltiplas vezes para lá do minuto 80 e algumas já mesmo na compensação, que frente ao Estoril marcou dois antes do quarto de hora. Era apenas a segunda vez que os leões, em 2025/2026, marcavam dois golos antes do minuto 20 e era também resposta fortíssima ao 3-1 do FC Porto ao Arouca, minutos antes. A seguir, talvez pensando no que aí vem, descansou. A instantes do fim, porém, a tradição manteve-se: minuto 90+4: 3-0.

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O Estoril, porém, antes e depois de qualquer dos dois primeiros golos, como é norma com Ian Cathro, não se intimidou. Pegava na bola e, sem medo e com ousadia, partia para cima da defesa leonina. Sem andar muito perto do golo, sim, mas a impor algum respeito. Até porque, em duas das últimas cinco jornadas (Gil Vicente e V. Guimarães), os canarinhos estiveram a perder e ganharam. Mas o Sporting, sobretudo, à base de lançamentos longos (Trincão no 1-0, Hjulmand no 2-0 e Morita para Catamo andar perto do 3-0), criava muito perigo. E só ao minuto 45’+1, num remate de fora da área que obrigou Rui Silva a desviar para canto, o Estoril esteve mesmo perto do 2-1.

A ganhar por 2-0 e antes de três jogos importantíssimos em apenas oito dias (FC Porto, Taça, em casa; SC Braga, Liga, fora; Bodo/Glimt, Champions, fora) e com Pedro Gonçalves, João Simões, Daniel Bragança, por exemplo, sentados no banco, iria Rui Borges mudar durante o intervalo para começar desde logo a gerir? E Ian Cathro? Mudaria para tentar fazer o que fizera com Gil Vicente e V. Guimarães?

Só o treinador escocês mudou, talvez tentando provar que o 2-0 é um resultado muito difícil de gerir para quem está a vencer. Cathro trocou Gonçalo Costa por Pedro Carvalho e Alejandro Marques por Antef Tsoungui. Ricard Sánchez passou para o lado esquerdo da defesa e Pedro Carvalho substituiu-o na direita, com Tsoungui a entrar para quarto médio para aumentar a robustez física do sector.

Fruto ou não dessas trocas, o Estoril aumentou de rendimento e o Sporting desceu muito. Os primeiros 20 minutos da segunda parte, com João Carvalho a subir imenso, foram todos dos canarinhos. Aos 62’, Guitane partiu para cima de Gonçalo Inácio, desviou-se e rematou para defesa segura e difícil de Rui Silva. Rui Borges tinha de mexer para não perder ainda mais o controlo do jogo e não pôr em perigo a vantagem de dois golos.

Aos 72 minutos, finalmente, o treinador leonino mexeu: Luís Guilherme por Faye e Morita por João Simões. Continuou tudo igual. Conseguiria o Sporting, com estas trocas, voltar a mandar no jogo? Não. Conseguiu apenas equilibrar o que estava desequilibrado, embora ao minuto 75 só um milagre tenha evitado que Maxi Araújo, após boa entrada de Catamo pela direita, fizesse o 3-0. Mas o belga Tsoungui, meu Deus, esticou a perna e evitou o golo do uruguaio.

A sete minutos do fim, Rui Borges voltou a mexer: Fresneda, Catamo e Trincão por Vagiannidis, Bragança e Nuno Santos. Mera tentativa de gerir ainda um pouco mais os potenciais titulares, já na terça-feira, frente ao FC Porto? Talvez. A verdade é que, nos instantes finais, como tão tradicional tem sido esta época, o Sporting voltou a marcar. Nuno Santos abriu na esquerda para Daniel Bragança e este tirou a bola da frente dos adversários com o pé esquerdo e marcou com o direito: golaço.