Bino Maçães e a ausência de Portugal nos sub-17: «Vai acontecer mais vezes»
Bini Maçães, campeão mundial com os sub-17 e agora nos sub-18, comentou o recente falhanço no apuramento para o Europeu e Mundial da categoria, sublinhando a crescente dificuldade e a importância de manter o rumo no processo de formação.
«Infelizmente, no futuro eventualmente vai acontecer mais vezes», afirmou o técnico esta segunda-feira, à margem do fórum da ANTF em Albufeira.
O agora selecionador de sub-18 explicou que as regras de apuramento se tornaram mais exigentes. «Os regulamentos do ano passado já mudaram e só o primeiro classificado é que pode ir ao Europeu», recordou, acrescentando que a qualificação para o Mundial como um dos melhores segundos classificados é igualmente um desafio.
Para Maçães, o nível competitivo elevado e a presença de seleções como França, Alemanha ou Itália nos grupos de qualificação aumentam a margem para deslizes. «Basta, às vezes, um deslize (e se as coisas não correrem tão bem, podemos ficar de fora», alertou.
O técnico sublinhou a importância da gestão emocional em atletas jovens. «Estamos a falar de miúdos, que têm de saber gerir os momentos de pressão», disse, defendendo que um desaire não pode comprometer o trabalho de formação. «Isso não pode hipotecar aquilo que são as nossas ideias, que é a continuidade no nosso processo», reforçou, deixando ainda uma palavra de apoio ao selecionador José Lima: «Não é só quando ganhamos que somos os maiores, nem quando perdemos que somos os piores. Temos que estar de cabeça levantada».
Recordando a conquista do Mundial de 2025, Bino Maçães destacou o sucesso dos jogadores dessa geração, que agora integram escalões superiores. «Temos seis, creio eu, no sub-19, temos um no sub-21... Isso para mim é o realizar também», afirmou, considerando que o objetivo principal da formação é preparar atletas para a seleção principal.
Questionado sobre a rápida progressão destes jovens, o treinador explicou a sua filosofia: «O que eu normalmente pedia era que os miúdos fossem postos em patamares acima e escalões acima, porque é na adversidade que nós crescemos.»