Euro-2028 vai ser coorganizado pelo Reino Unido e a República da Irlanda
Euro-2028 vai ser coorganizado pelo Reino Unido e a República da Irlanda - Foto: IMAGO

Bilhetes para o Euro 2028 mais baratos do que um lugar de estacionamento no Mundial 2026

A política de preços acessíveis da UEFA para o Euro 2028 contrasta fortemente com os custos exorbitantes que os adeptos enfrentarão no Campeonato do Mundo de 2026, organizado pela FIFA

A divulgação dos preços dos bilhetes para o Euro 2028, que será coorganizado pelo Reino Unido e pela República da Irlanda, veio expor os custos considerados escandalosos para assistir ao Mundial 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México. Os adeptos que planeiam viajar para a competição já se preparam para preços elevados não só nos bilhetes, mas também em transportes e alojamento.

A FIFA tem sido alvo de duras críticas devido à sua política de preços. Em resposta à contestação, o organismo que rege o futebol mundial foi forçado a introduzir, em dezembro, bilhetes «mais acessíveis» de cerca de 53 euros para os 104 jogos do torneio. No entanto, mesmo com esta medida, os custos permanecem elevados. Um adepto que conseguisse adquirir os bilhetes mais baratos para os oito jogos até à final gastaria aproximadamente 6 mil euros. Para bilhetes de categoria intermédia, o valor subiria para os 10 mil euros e para os mais caros, atingiria os 14 mil euros.

Em contrapartida, a UEFA comprometeu-se a manter os preços baixos para o Euro 2028. Segundo o jornal The Times, 15% dos bilhetes custarão 35 euros ou menos, e outros 25% terão um preço inferior a 70 euros. Isto significa que um adepto poderia comprar dois bilhetes de 35 euros para um jogo por um valor inferior ao custo de um lugar de estacionamento num jogo da fase de grupos do Mundial. Como exemplo, estacionar no AT&T Stadium, em Arlington, Texas, custa 65 euros.

Apesar de planear vender bilhetes premium quando as vendas abrirem após o sorteio em dezembro de 2027, a UEFA garante estar empenhada num «processo de bilhética justo, transparente e que coloca os adeptos em primeiro lugar».

A FIFA, por sua vez, anunciou que 10% de todos os bilhetes para o Mundial teriam o preço de 52 euros, mas para os adeptos de Inglaterra e Escócia, isto traduz-se em apenas 400 bilhetes por cada jogo da fase de grupos. A situação levou a medidas extremas, como o caso do adepto inglês Andy Milne, que revelou ao The Mirror que está a vender uma casa para financiar a sua viagem.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, tem mantido uma postura otimista perante a indignação, salientando a enorme procura. «Em quatro semanas, temos pedidos para mil anos de Campeonato do Mundo», afirmou à CNBC. «Recebemos pedidos de bilhetes de mais de 200 países. Todos querem fazer parte de algo especial.»

Infantino também abordou a questão da flutuação de preços, especialmente no mercado norte-americano. «Os preços foram fixados, mas nos EUA, em particular, existe uma coisa chamada 'preços dinâmicos', o que significa que o preço pode subir ou descer. Isso faz parte do mercado em que estamos», explicou, acrescentando: «Os preços de alguns jogos vão subir. Não é um problema, no sentido em que a procura existe… O preço é uma consequência disso.»

Para a final do Mundial, excluindo o número mínimo de bilhetes de 53 euros, o bilhete mais barato custará mais de 3,5 mil euros. A situação levou a Football Supporters Europe a apresentar uma queixa formal na semana passada por «preços de bilhetes excessivos», acusando a FIFA de «abusar da sua posição de monopólio» e de praticar publicidade enganosa, ao anunciar um preço para bilhetes que, devido à sua escassez, «não está genuinamente disponível».