Bicadas no tempo devido para voo certeiro dos gansos (crónica)
Festa de um lado, tristeza do outro. O Casa Pia selou a permanência na Liga, o Torreense não conseguiu voltar à elite nacional, onde esteve pela última vez na época 1991/1992.
Após o nulo na primeira mão, há mais de uma semana, o emblema do Oeste chegava a este duelo decisivo com confiança redobrada: além de poder lutar pela subida de divisão, trazia na bagagem a histórica Taça de Portugal, conquistada no passado domingo, por ocasião do épico triunfo (2-1, após prolongamento) diante do Sporting, no emblemático Estádio Nacional, em pleno Jamor.
Talvez devido a esse estado de alma, a formação orientada por Luís Tralhão entrou com tudo e tentou chegar cedo à vantagem — tal como, de resto, havia acontecido frente aos leões, quando Kévin Zohi festejou logo aos 4 minutos —, mas a verdade é que Dany Jean (4'), Musa Drammeh (5' e 10') e Javi Vazquez (6') — que tiro, ainda do seu meio-campo defensivo (!), a obrigar Patrick Sequeira a recuar rapidamente e voar para impedir um golaço do lateral-esquerdo espanhol — não acertaram no alvo.
O conjunto de Álvaro Pacheco (viu o jogo na bancada, devido a castigo) reagiu e a partir do quarto de hora conseguiu equilibrar as operações. E também criou situações de finalização, como foram os casos dos lances protagonizados por Dailon Livramento (18', 20' e 29') e Khaly (29'). Mas quem tinha a mira devidamente calibrada era Larrazabal: assistência de Kevin Prieto e remate cruzado do ala espanhol sem hipótese de defesa para Lucas Paes. Marcador inaugurado.
A etapa complementar continuou intensa e teve (ainda) mais Torreense. Os azuis-grená (incrível a disponibilidade física de quase todos os jogadores que, com apenas três dias de descanso, deram uma resposta absolutamente fantástica) partiram para cima do adversário, mas não tiveram a assertividade que desejavam no último terço ofensivo. As chegadas à área contrária eram uma constante, tanto pela exploração dos corredores, como através do jogo interior, mas faltava sempre qualquer coisa. Isto, claro está, a somar à excelente organização defensiva dos casapianos.
Alejandro Alfaro ameaçou de meia distância (63' e 73'), mas quem não marca... sofre: numa das transições do Casa Pia, Korede Osundina trabalhou bem pela esquerda e ofereceu a sentença a Lawrence Ofori (78'). Estava tudo dito.
Glória ao Casa Pia, que com duas bicadas à ganso fez voo certeiro para a permanência na elite, honra ao Torreense, que lutou até à última gota de suor por mais uma página de glória. Chama-se cair de pé.
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