Benfica viu nascer uma dupla que confundia adversários
No percurso de formação de Anísio Cabral e Stevan Manuel, hoje campeões do mundo de sub-17, houve um episódio que se repetiu tantas vezes que acabou por se transformar numa história. Quem o conta é Nélson Lemos, presidente do União Desportiva Alta de Lisboa e uma das primeiras pessoas a ver de perto o talento dos dois jovens.
«Quando eles iam aos jogos de formação, no final, as equipas com quem jogávamos chegavam ao pé de nós e perguntavam se eles tinham mesmo a idade do escalão», recorda Nélson, com um sorriso de quem se habituou à incredulidade alheia. As perguntas surgiam invariavelmente no final das partidas, quando os adversários já tinham percebido que o talento daqueles dois miúdos não era propriamente normal para a idade que exibiam nas fichas de jogo.
A resposta era sempre a mesma — e sempre verdadeira: «Claro que nós dizíamos que sim, e era a verdade. Isto era porque já mostravam uma capacidade técnica e física muito superior aos adversários. Tinham era um talento inato.»
O comentário repetido dos treinadores rivais tornou-se, com o tempo, uma espécie de confirmação silenciosa daquilo que o clube já sabia: Anísio e Stevan estavam vários passos à frente. Hoje, quando ambos brilham ao serviço de Portugal e do Benfica, o episódio ganha outro sabor — o de uma premonição evidente. Já então surpreendiam; agora confirmam.