José Mourinho esteve em Itália
José Mourinho esteve em Itália

Mourinho abre o livro em Itália: futuro, seleção e o mérito do FC Porto de Farioli

Treinador do Benfica esteve em Milão

De regresso a Milão como rosto da seguradora Prima Assicurazioni, José Mourinho abordou vários temas da atualidade em declarações à SportMediaset, incluindo o futebol português... e o seu futuro.

Sobre a Liga, o treinador do Benfica não tem dúvidas em relação ao trabalho de Francesco Farioli no FC Porto: «Não me quero comprometer, mas, na minha opinião, ele vai ganhar o campeonato com mérito. Será campeão. Depois, pode gostar-se mais ou menos de como joga ou de como comunica, mas no final quem ganha é que tem razão.»

Em relação ao futuro, e mais concretamente a possibilidade de vir a ser selecionador, o técnico dos encarnados admite que pensa no assunto, mas que ainda não é o momento. «Penso nisso, mas depois também penso na minha vida sem o futebol de clubes — sem treinar todos os dias, ganhar, perder e empatar três vezes por semana. Ser feliz, triste, frustrado, querer melhorar… não consigo imaginar a minha vida sem estas coisas. Ainda não chegou o momento para uma seleção», defendeu.

No tema seleções, lamentou a ausência de Itália do Mundial. «É triste. Quando não se qualificaram, eu estava com o Rui Costa e não queríamos acreditar: 'Como é possível que a nossa Itália não tenha conseguido?', perguntávamo-nos. Mas é real, aconteceu», afirmou, rejeitando que a solução passe por um selecionador estrangeiro.

«Itália tem treinadores com carisma, qualidade, experiência… Não podem ter o Carletto (Ancelotti), mas podem ter o Max (Allegri), o Antonio (Conte) e certamente haveria outros», referiu, sugerindo que o problema está na base: «Vejo, por exemplo, um país como Portugal com 10 milhões de habitantes: as competições para os jovens, as condições de trabalho… há diferenças incríveis. Depois vê-se a qualidade dos jogadores portugueses que surgem todas as semanas, com o selecionador a ter dificuldades em escolher quem excluir.»

Quanto aos favoritos a vencer o Mundial, o coração de Mourinho pende para a Seleção Nacional. «Gostaria que fosse Portugal, que tem potencial para consegui-lo», disse, antes de analisar outros candidatos. «Carletto é Carletto, mesmo que as pessoas não acreditem que o Brasil consiga: para mim, uma coisa é o Brasil com Ancelotti e outra é sem ele. Acho que pode conseguir. A Argentina é a atual campeã do mundo e parece-me uma verdadeira equipa: unida, compacta, que tem prazer em jogar pela seleção. E depois a França, que com todo o talento que tem à disposição pode fazer três equipas competitivas. Um dia terá de chegar também a vez da Inglaterra», avaliou, acrescentando que só irá acompanhar a sério a partir dos quartos de final, pois considera que «a verdadeira festa» começa aí.