Benfica-Estoril — as ideias e as novidades de Vasco Matos
Vasco Matos, treinador do Estoril, fez este domingo a antevisão da deslocação ao Estádio da Luz para defrontar na segunda-feira o Benfica, na 4.ª jornada do campeonato.
Momento negativo e duelo exigente
«O treino é o nosso processo, é olharmos para nós, para aquilo que é a nossa ideia, que é a nossa cultura de trabalho. E quando tu tens uma ideia e um processo, obviamente tu identificas mais facilmente porque é que perdes e porque é que ganhas. E nós temos claramente a nossa ideia e claramente percebemos porque é que não estamos a ganhar ou o que é que está a acontecer. E aí temos que trabalhar sobre isso, sobre isso. Obviamente defrontar o Benfica neste momento é um jogo difícil, uma equipa muito boa, que está a praticar um futebol forte, uma equipa com bola muito agressiva nos seus deslocamentos, uma equipa com muitas ruturas, mete muita gente na última linha, ataca muito a última linha com muitos movimentos de rutura. Individualmente uma equipa com muita capacidade, com muitos recursos e a nós cabe-nos ser extremamente competitivos dentro daquilo que é a nossa ideia, daquilo que tem sido o nosso trabalho, e passa um bocadinho por aí.»
Capacidade goleadora do Benfica e estratégia
«Ir defrontar o Benfica e não preparar... e mesmo preparando sabemos que é difícil porque acho que é... não é difícil identificar os movimentos porque são repetidos, têm uma repetição muito grande ao longo do jogo, mas mesmo assim tu não consegues parar esses movimentos porque são... é uma organização coletiva muito bem trabalhada. Depois a individualidade, a capacidade individual nos seus jogadores dentro dessa organização também vai resolver muita coisa, mas é uma equipa que tem muitos movimentos agressivos, ataca muito a última linha com movimentos de rutura, uma rutura, duas ruturas, em apoio... Ou seja, está bem identificado o que é que eles fazem de um lado, o que é que eles fazem do outro. Agora obviamente tens de ter uma grande concentração, grande rigor, tens que ser extremamente competitivo, tens que ter capacidade nesses momentos de ser estável, de ser uma equipa estável porque também quando não tens a bola e defrontar uma equipa do nível do Benfica tens de ter essa capacidade de estabilidade nesse momento e é isso que nós temos que ser: extremamente competitivos, temos de ter uma capacidade de superar esses momentos de correr muito, de correr muito sem bola e obviamente depois também quando tivermos a bola temos de ter capacidade de a reter, de procurar os nossos espaços e tentar obviamente ferir o Benfica.»
Que diferenças neste Benfica para os anteriores
«Este ano o Benfica, muito mérito da sua equipa técnica, do trabalho do Marco, uma equipa, volto a repetir, uma equipa bem organizada, com movimentos bem identificados. Repetem muitas vezes os mesmos movimentos e isso causa muito desconforto ao adversário. Já disse, com soluções em apoio, soluções em rutura, a afundar... a obrigar a afundar a linha e a fechar espaços interiores e por vezes a abrir espaços por fora onde a capacidade individual dos seus extremos no um contra um é muito grande, é muito grande e aí temos de ter coberturas fortes. Obviamente vejo um Benfica neste momento numa fase muito boa, cheio de energia, confiança e com essa capacidade de conseguir ferir os adversários.»
Debilidades a explorar e baixas na equipa
«O Stelios sim, o Xavi não. O Benfica também tem pontos a explorar. Temos de ter capacidade no momento em que temos bola de fazer o nosso jogo. Reparo que nos últimos... mesmo este último jogo em casa tivemos 18 remates à baliza. Falta-nos melhorar a eficácia, mas continuarmos a trabalhar no processo: ter bola, ligar o nosso jogo, procurar os espaços que estão identificados e ter essa capacidade de manter a bola. Quando pudermos acelerar o jogo temos de o acelerar, se não conseguimos, manter a bola e trabalhar a bola. Temos de ter essa coragem e essa capacidade também porque isso também retira confiança, retira muito tempo e muito espaço ao adversário e é nisso que nós vamos nos focar também. No momento com bola temos de ter capacidade de a ter de uma forma segura e é um dos pontos que nós temos que melhorar, que é quando tivermos a bola melhorarmos aquilo que são as nossas decisões.»
Importância de ter Ferro e João Carvalho, ambos ex-Benfica, e Cassiano
«Não quero individualizar, foco-me no coletivo, portanto é percebermos o que é que estamos a fazer, com que adversário é que vamos defrontar, que tipo de adversário é que vamos defrontar e focarmo-nos muito, muito em nós e naquilo que é o nosso trabalho e aquilo que temos para fazer na segunda-feira.»
Que mensagem?
«Em termos motivacionais acho que é percetível que o jogador vai ser motivado para jogar com uma equipa grande. Mas, volto a repetir, focar naquilo que é a nossa identidade, aquilo que nós queremos construir, uma cultura de trabalho forte e passa um bocadinho por aí. Temos tido... não tem sido um mês fácil, temos que fechar o plantel rapidamente, o mercado também estar a fechar para nós vai ser bom para aqueles que saem, para aqueles que entram, para estabilizar. Sentimos essa necessidade, mas é termos a capacidade, como eu digo, essa coragem também para ter bola, sermos muito rigorosos no momento que não a temos. Temos de ser muito rigorosos e saber também sofrer em alguns momentos e ter essa capacidade. De resto, é aproveitarmos, desfrutarmos o momento de uma forma séria e responsável. Vamos jogar contra uma grande equipa, um ambiente onde todos queremos estar, e é fazê-lo de uma forma muito profissional e exigente.»
Jordan Holsgrove?
«Sim, o Jordan já está disponível. Em relação ao mercado, claramente queremos acrescentar competitividade interna ao grupo de trabalho.»