Nuno Catarino, vice-presidente e CFO do Benfica (SL Benfica)
Nuno Catarino, vice-presidente e CFO do Benfica (SL Benfica)

Benfica 'District', financiamento saudita e álcool no estádio: CFO das águias explica

Projetos e ideias do clube da Luz analisados por Nuno Catarino, responsável pela área financeira

Nuno Catarino, CFO da Benfica SAD, em entrevista ao ECO, fez o ponto da situação do Benfica District e diz estar disponível para ouvir investidores do Médio Oriente, ao mesmo tempo que nega relação com comitiva saudita que esteve em Portugal em janeiro passado.

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O próximo passo determinante é o licenciamento. Será em breve. Até ao verão teremos necessariamente o licenciamento definido

A Bloomberg noticiou em janeiro que o Benfica estava em negociações com bancos norte-americanos (J.P.Morgan) para financiar o Benfica District, estimado em mais de 220 milhões de euros. «Temos mantido conversas com vários financiadores internacionais, mas para efeitos de financiamento estamos ainda numa fase bastante preliminar. Ainda é cedo para ter um dossier de project finance consolidado. Submetemos o pedido de informação prévia na Câmara Municipal de Lisboa — o chamado PIP [Pedido de Informação Prévia] — para conseguir licenciar os trabalhos. O próximo passo determinante é o licenciamento. Será em breve. Até ao verão teremos necessariamente o licenciamento definido», explicou o CFO da Benfica, SAD.

Nuno Catarino aprofunda o District: «No futebol europeu há apenas dez marcas verdadeiramente relevantes e o Benfica estará sempre nesse grupo. Conseguimos junção quase perfeita: uma tendência que se afirma com solidez, uma marca muito forte e uma cidade com momento, que é Lisboa. Há estas três componentes, associadas ao Mundial 2030 — que é o nosso objetivo de conclusão do District.»

Em alguns casos na Europa, quando a via de mercado habitual não é a mais acessível, tem-se ido diretamente a investidores da Arábia Saudita e de outros mercados. Mas essa não é a nossa expectativa

Nuno Catarino revela que «o financiamento é a parte que menos preocupa nesta fase» e nega encontro em janeiro, na Luz, com comitiva saudita. «Esse grupo não esteve no Benfica. Não se reuniram comigo, nem com a SAD. Não estiveram cá. É um facto que, em muitos casos, os investidores americanos surgem associados a capital do Médio Oriente, mas a liderança é dos bancos norte-americanos, que depois têm acesso a esse capital. Imagino que outros clubes tenham tido uma componente de 20% a 30% de capital oriundo do Médio Oriente. Em alguns casos na Europa, quando a via de mercado habitual não é a mais acessível, tem-se ido diretamente a investidores da Arábia Saudita e de outros mercados. Mas essa não é a nossa expectativa. Se nos tivesse sido solicitada uma reunião, teríamos recebido esses investidores sem qualquer reserva. Simplesmente, tal não aconteceu», sublinhou Catarino.

O financeiro dos encarnados abordou ainda o tema do álcool nos estádios. «Não há qualquer correlação entre o consumo de álcool e os incidentes que ocorrem nos estádios, desde que seja feito com moderação», explica, sem se deter: «É fundamental ter álcool dentro do estádio ou dentro dos perímetros em que o Benfica opera. Esta é uma medida que vai beneficiar todo o futebol português. Não existem impedimentos legais nessa matéria, mas tem havido condicionamentos decorrentes da interpretação das normas, algo em que temos trabalhado com outros clubes, existindo abertura dos intervenientes para que tal seja possível. Já estivemos perto de uma solução e acreditamos que a alcançaremos nos próximos anos», finalizou.