Pavlidis reduziu para o Benfica de penálti
Pavlidis reduziu para o Benfica de penálti - Foto: IMAGO

Benfica abaixo do mínimo aceitável

A meia-final frente ao SC Braga foi retrato fiel de equipa sem nervo competitivo, sem ambição e sem soluções. O rendimento paupérrimo, o resultado, abaixo de qualquer patamar aceitável. Não há retórica que o salve, nem contexto que o atenue

Depois de o Sporting, ferido por lesões em catadupa, ter deixado escancarada a porta para uma final da Taça da Liga teoricamente acessível, sem adversário da mesma igualha, o Benfica respondeu da pior forma possível: com apatia, desresponsabilização e uma exibição que roçou o inaceitável. Perdeu-se, assim, mais uma oportunidade clara de se aproximar de um troféu — algo que nunca deve ser desvalorizado num clube desta dimensão, muito menos em tempos de escassez como os atuais.

A meia-final frente ao SC Braga foi um retrato fiel de uma equipa sem nervo competitivo, sem ambição e sem soluções. O rendimento foi paupérrimo, o resultado abaixo de qualquer patamar aceitável... Não há retórica que o salve, nem contexto que o atenue.

No final, José Mourinho apontou o dedo, falou de uma primeira parte horrível e de desempenhos individuais abaixo dos mínimos, deixando no ar a ameaça de consequências. Palavras duras, sem dúvida. Mas olhando para o filme completo — para o que se repete semana após semana, sempre sem melhorias visíveis — tudo soa a pólvora seca. O problema parece estrutural, quase endémico, e a solução continua fora de vista.

O que mudou, afinal, desde os piores momentos de Roger Schmidt ou de Bruno Lage? Mudam-se os treinadores, reforça-se o plantel, investe-se — e o que se vê está longe de qualquer evolução sustentada. Por vezes, é até o contrário. Inexplicável a todos os níveis. E, mais do que isso, profundamente constrangedor.

A época ainda não está formalmente fechada, é certo. O segundo lugar na Liga continua a ser muito diferente do terceiro. Mas títulos? Com este nível exibicional, tudo aponta para que as aspirações terminem já na próxima semana, no Estádio do Dragão. A menos que, num rasgo de pragmatismo extremo, surja mais um empate arrancado a ferros e que o acaso — sempre ele — sorria nos penáltis. Até lá, o Benfica continua refém de si próprio.