Roberto Martínez deixou rasgados elogios ao internacional português, que deixou o Manchester City em fim de contrato

Aviso a Leão, ausência de Trincão e Guedes... a salvação: tudo o que disse Martínez

Selecionador compreendeu a reação do avançado do Milan e afirmou que foi uma lição para ele e os colegas no Mundial, tendo usado a expulsão como desculpa para a não entrada do jogador do Sporting na vitória de Portugal ao Chile

— Proença disse que um mau Mundial seria não chegar aos quartos. Encara essas palavras como um aviso ou pressão extra?

— Não, acho que somos um grupo experiente, precisamos de nos focar no nosso trabalho. É momento para ter opiniões, há conversa à nossa volta, mas é preparar a equipa. Gostei muito da atitude do grupo hoje e o foco é esse. Isso faz parte do nosso trabalho.

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— Admite um jogador deste nível [Rafael Leão] ter uma reação destas? E vai falar com os jogadores para não se repetir no Mundial?

— O futebol está cheio de paixão, emoções. É normal a reação do Leão, é para proteger o colega, mostrou espírito de equipa, é positiva para ajudar o colega. Claro que não podemos fazer isso e entrar na provocação. É muito bom o que aconteceu, porque uma equipa sul-americana tem muitos momentos assim. Jogamos contra a Colômbia e pode acontecer. É para aprender. Gosto do aspeto de querer ajudar o colega, mas precisamos de aprender que no futebol precisamos de falar com a bola e deixar as outras equipas tentar provocar.

— O quarteto dos campeões europeus já se juntou ao grupo?

— Já. A ideia era recebê-los hoje, estiveram aqui no jogo também. Boas notícias para o Matheus Nunes e amanhã começamos a trabalhar os 27 jogadores.

— Os jogadores que foram menos utilizados vão ter mais minutos com a Nigéria?

— Acho que o jogo hoje foi muito interessante para a preparação individual, 10 contra 10. Há mais espaço, mais duelos, fisicamente foi muito bom para nós. O Trincão foi o único jogador que não entrou pela ação do vermelho, mas não estou preocupado com isso, porque vai ter minutos contra a Nigéria. Teve uma época em que jogou muito e não é um problema. Vamos analisar. O Cancelo jogou 90 minutos, Rúben Dias quase, o Chico com uma intensidade muito boa, Pedro Neto também. Félix e Trincão... podemos utilizar no segundo jogo.

— Algum problema físico com Ronaldo? Não regressou ao banco.

— Não, o plano era fazer as seis substituições que fizemos. Ajustámos para jogar com 10 jogadores, faz parte do plano e ele hoje teria apenas 45 minutos.

— Houve muitos cruzamentos sem finalização, esse vai ser um dos focos a melhorar?

— Não, há muitos focos. Gostei muito da primeira parte, é certo que faltou eficácia, faltou mais jogadores nas zonas de finalização dentro da área. Gostei da segunda parte, diferente 10 para 10, marcar dois golos de bola corrida mostrou inteligência posicional, Gonçalo Guedes posicionou-se bem. Num erro nosso sofremos um golo. É um jogo que dá muito para crescer e fiquei muito contente com o aspeto de esperar o inesperado. A reação foi muito positiva e encontrámos o caminho para ganhar o jogo numa situação inesperada.

— Na segunda parte, perdemos domínio no meio-campo. Faltou equilíbrio. E que consequências espera do Leão?

— Respeito a sua opinião, mas o golo sofrido é porque perdemos a bola de um pontapé de baliza. Não é posse do Chile. Marcámos dois golos em bola corrida, perdemos e forçámos em momentos, mas, em geral, é um jogo totalmente diferente, muitos duelos. O Leão… todas as ações têm consequências, mas espero que o árbitro veja as imagens e perceba que não é uma situação violenta. As mãos não estão acima dos ombros, então espero que seja uma consequência menor.

— O que procurou pedir ao trio no meio-campo, Samu, Bruno e Bernardo?

— Estamos num momento perfeito para usar os três na posição de médio, porque amanhã temos Vitinha e João Neves. Era importante usá-los para criar polivalência.

— No último jogo de Portugal no Jamor, Jota marcou à Croácia. Guedes tem sido muito comparado a ele, é o substituto?

— Não. Diogo Jota está connosco, o que é certo é que o Guedes é um perfil que ajusta as necessidades da equipa. Um jogador que pode jogar a ponta de lança como hoje, mas que também pode explorar as costas, consegue jogar de ala, chegar em posição entre linhas. É um perfil muito importante e diferente do Cristiano Ronaldo, do Gonçalo Ramos. Mas o Jota está connosco, não é um substituto.

— O que pensa que Bernardo Silva pode dar ao Barcelona?

— Parece-me que o Bernardo Silva é um jogador tão espetacular que entra em todos os balneários do futebol mundial. Um jogador assim não aparece livre, mas pode ajustar-se em qualquer sistema e melhorar a posição pela inteligência e por ter um nível técnico desse nível.

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