Atleta do Benfica continua em coma induzido
O treinador de Etson Barros disse esta sexta-feira que o atleta do Benfica sofreu um traumatismo cranioencefálico no acidente de viação sofrido na madrugada de quinta-feira no Algarve, mas o seu estado de saúde não se agravou nas últimas horas.
Paulo Murta explicou à agência Lusa que o atleta sofreu o acidente a cerca de 500 metros de Pechão, no concelho de Olhão, cidade onde vive e à qual regressava depois de ter visto um jogo de futebol e jogado videojogos com amigos, em Chaveca, na freguesia de Estoi, no concelho de Faro.
«Ele não vinha de Lisboa, tinha estado a ver o jogo e a jogar Playstation, na Chaveca, e regressava a sua casa, em Olhão. São cerca de quatro quilómetros», esclareceu, após informações iniciais erradas de que Etson Barros regressava da capital portuguesa quando o seu veículo se despistou, de madrugada, na Estada Nacional 2-6, que liga Estoi, no concelho de Faro, a Olhão.
Etson Barros está em observação e continua com prognóstico «reservado», segundo o treinador. Paulo Murta disse à Lusa, na quinta-feira, que, após o capotamento, o veículo ficou apoiado numa lateral, com a porta do condutor junto ao chão, e Etson Barros ainda consciente, tendo o coma sido induzido pelas equipas médicas já no hospital de Faro, onde não foi detetada qualquer fratura.
Ao ser questionado sobre a agenda mais próxima do atleta, Paulo Murta respondeu na ocasião que a «primeira preocupação é a sua recuperação». «Está comigo desde os oito anos, tem 25. E dos oito aos 25 há muita coisa», afirmou o técnico, reiterando que a saúde do atleta é a única coisa que, neste momento, importa, e que os serviços médicos da Federação e do seu clube, o Benfica, estão em contacto com as equipas do hospital de Faro, onde deu entrada após o acidente.
O treinador disse, contudo, que o plano de trabalhos acordado com atleta, que é recordista português dos 3.000 metros obstáculos, previa iniciar um ciclo de treinos de altitude a 3 de maio, para «fazer um mês de altitude e depois entrar no quadro competitivo de verão», mas, entretanto, «já foi tudo cancelado».
«Ao entrar em coma induzido, dentro dos próximos, se calhar, 5/6 meses a um ano, não pode fazer altitude nem viajar em aviões», justificou, frisando que, «além de uma relação de treinador», tem com Etson Barros «uma relação de amizade» e a sua principal preocupação neste momento é que o jovem se possa recuperar. O técnico salientou, pelo que viu no local do acidente, que não parece ter havido excesso de velocidade e afirmou que não foi detetado álcool no sangue do desportista.
Barros, de 25 anos, foi campeão nacional dos 3.000 metros obstáculos nos últimos cinco anos e conquistou a medalha de prata na mesma disciplina nos Europeus de sub-23 em 2021 e em 2023 e a de bronze nos Europeus de sub-20 em 2019. Como sénior, Etson Barros já esteve nos Mundiais Tóquio2025 e nos Europeus Munique2022 e Roma2024.