Luciano Gonçalves, presidente do CA da FPF
Luciano Gonçalves, presidente do CA da FPF

Árbitros, erros e consequências

A melhor notícia foi a tentativa de tornar o setor da arbitragem mais transparente; no entanto terá havido demasiada pressa em promover uma renovação geracional; e fica a curiosidade de saber quais as consequências para os árbitros ‘insuficientes’…

A época de 2025/26 ficou marcada por demasiados erros de arbitragem na I Liga, uns por inabilidade dos árbitros nos casos em que o protocolo/VAR não podia ser ativado, outros por inépcia do vídeo-árbitro, em algumas circunstâncias verdadeiramente inexplicáveis. Talvez a razão se encontre no facto de Luciano Gonçalves ter acelerado a renovação geracional, mas 40 arbitragens consideradas insuficientes, em tempos de ajuda tecnológica, deve ser motivo de preocupação.

No entanto, tem havido um esforço dos responsáveis no sentido da transparência, com as avaliações genéricas dos desempenhos a serem tornadas públicas, o que representa um salto quântico na luta contra o corporativismo que, por exemplo, continua a imperar na UEFA e na FIFA, que não oferecem bons modelos suscetíveis de serem seguidos. É preciso manter os olhos na fórmula da Premier League, que protege os árbitros sem deixar de os responsabilizar pelos erros.

A propósito de erros, sabe-se que houve 40 erros graves, mas não se sabe quais as consequências para quem os cometeu. Para quando esse telhado de vidro? Se não se associar uma consequência a uma má prestação, é a credibilidade do sistema que sofre…

A Autoridade da Concorrência aprovou o modelo de venda centralizada dos direitos televisivos do futebol profissional, aprovado em sede de AG da Liga por 80 por cento dos clubes. Reinaldo Teixeira tem trabalhado muito e bem, no sentido de implementar o que tinha ficado a meio caminho, e só tem razões para estar satisfeito por esta decisão. Porém, o meu ceticismo mantém-se, confesso, quando a um bom porto onde este processo possa chegar. Há demasiadas variáveis ainda por considerar, desde logo a questão de nenhum clube vir a receber menos do que aufere atualmente, e, sobretudo, quanto vai valer, em venda centralizada, o pacote de jogos dos campeonatos profissionais. As abordagens feitas até agora, que têm sido do conhecimento público, são sempre demasiado vagas e nenhum dos resultados parece ser entusiasmante.

Não tenho dúvidas de tratar-se do melhor sistema, aquele que é capaz de ajudar a minorar as diferenças obscenas de proveitos entre os clubes, mesmo num País em que três deles valem cerca de 90 por cento do mercado. Porém, e volto a uma tecla em que tenho vindo a bater exaustivamente ao longo de muitos anos, sem uma reformulação dos quadros competitivos (que a generalidade dos clubes, por razões egoístas, não quer, embora use argumentos altruístas para defender a centralização) os efeitos serão demasiado lentos para as necessidades atuais. Se queremos vender o produto, este tem de ser melhor. E só o será se tiver melhores jogos; e só terá melhores jogos com menos clubes na principal competição.

 FINALMENTE, devemos estar preparados para uma época difícil em termos de pontos/UEFA. O Torreense entrou para a história ao vencer com toda a justiça a Taça de Portugal, mas não acredito que possa, mais a mais a mais a jogar fora de Torres Vedras, contribuir para a melhoria do nosso ‘ranking’. O SC Braga, mesmo que faça uma ótima Liga Conferência, terá dificuldade em superar a excelente prestação de 2025/26 na Liga Europa. A Liga dos Campeões, para FC Porto e Sporting será sempre muito exigente. Resta o Benfica, que ainda tem seis jogos pela frente até poder aceder à fase de grupos da Liga Europa.

Sem ser arauto da desgraça, antevêem-se dias difíceis.    

CARTAS

ÁS

Edu Castro

O Benfica sagrou-se, pela 25.ª vez, campeão nacional de hóquei em patins, conseguindo fazê-lo com uma ‘folha’ limpa, sem derrotas. Uma proeza a registar no melhor campeonato do mundo de clubes (uma espécie de Premier League do hóquei), onde não falta investimento.

REI

Ronaldinho Gaúcho

Foi um dos melhores jogadores do Mundo, tratava a bola com magia, foi campeão do Mundo, e agora, aos 46 anos, decidiu voltar a jogar (?), no Ravenna, da terceira divisão italiana, naquilo que mais parece uma jogada de marketing do que uma aposta desportiva. Veremos…

DUQUE

Karem Aktürkoglu 

O antigo extremo do Benfica fica intimamente ligado ao fiasco turco no Mundial, não só pelo que não jogou, mas também por ter entrado em conflito com os adeptos. Por vezes pensamos por que razão há jogadores que ficam aquém do seu potencial, e depois, percebemos porquê.

CAPA

Já cá faltava o folclore do Mundial

Depois do pato Merlin, do México, que anda em digressão nacional antes de acabar em arroz, e das várias candidatas a sucessoras de Larissa Riquelme, chegou a vez do Daily Star dar palco ao curandeiro ganês Nana Kwaku Bonsam, que garante ter lançado um feitiço sobre Harry Kane, a pensar no jogo de amanhã entre ingleses e ganeses. E mais: vangloria-se de ter sido responsável pela lesão de CR7 em 2014. ‘Twilight zone’…

FOTOLEGENDA

INFANTINO

O presidente da FIFA tem-se deslocado, em jato privado, pela América do Norte, tentando estar no maior número de jogos possível. Se fosse no Qatar, ia de metro, assim, como não pode, rapidamente, surgiram as críticas face a uma decisão que devia ser louvada, porque há de ser com sacrifício pessoal que Gianni Infantino (que deve estar fartíssimo de andar de avião) percorre milhares de quilómetros para prestigiar institucionalmente as várias seleções. Para quem faz parte do campeonato de dizer mal por tudo e por nada, é um alvo demasiado fácil para ser desperdiçado.

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