APCVD remete agressões na Liga BPI para o Ministério Público
A Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) anunciou que vai remeter ao Ministério Público (MP) notícias de crime referentes a incidentes violentos ocorridos em dois encontros: um a contar para a Liga feminina de futebol e outro referente ao futebol popular de Barcelos.
O caso com maior visibilidade aconteceu na sexta jornada da Liga BPI, no Campo N.º 5 da Academia do Vitória de Guimarães, onde a formação vitoriana superou o Racing Power por 2-1. Nessa partida, após ter recebido ordem de expulsão da árbitra principal, a presidente do clube visitante, Mariana Duarte, empurrou com violência a quarta árbitra aquando da sua saída do recinto.
Tendo em conta a «dimensão pública e à repercussão das imagens difundidas na comunicação social, relativas a agressões entre uma agente desportiva e uma integrante da equipa de arbitragem», a APCVD sublinhou estar em causa um ilícito criminal de natureza pública. Como tal, a autoridade confirmou que «procederá ao envio ao Ministério Público de toda a informação compilada que se afigure útil para a prossecução da justiça, atendendo à competência das autoridades judiciárias na investigação de matéria criminal».
O episódio gerou pronto repúdio da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), que logo após o desafio considerou a agressão de «extrema gravidade» e um «ataque intolerável à integridade física de quem tem a responsabilidade de garantir o cumprimento das Leis do Jogo». A estrutura associativa sublinhou que a conduta se torna ainda mais grave por partir de quem exerce cargos de responsabilidade e exigiu sanções severas: «A APAF exige que as entidades competentes atuem com a máxima celeridade, firmeza e rigor no apuramento de todos os factos e na aplicação de sanções disciplinares exemplares, proporcionais à gravidade dos atos e verdadeiramente dissuasoras de futuros comportamentos violentos.»
Por seu turno, a direção do Racing Power admitiu o empurrão da sua dirigente máxima, sustentando, todavia, que o ato tem de ser «enquadrado no contexto integral em que ocorreu, não podendo ser dissociado dos acontecimentos que o antecederam».
Além da partida do campeonato feminino, a APCVD participou ao Ministério Público as «agressões envolvendo agentes desportivos» verificadas no jogo entre o Águias de São Mamede e o Necessidades Futebol Clube. O embate, referente à terceira jornada da 2.ª divisão do campeonato de futebol popular de Barcelos — prova organizada pela Associação de Futebol Popular de Barcelos —, decorreu no Complexo Desportivo Cova de Enchate, tendo todo o material recolhido seguido para averiguação judicial.