António Morgado «sem pressão» para a estreia no Giro de Itália
O Giro de Itália arranca esta sexta-feira, dia 8 de maio, e António Morgado vai ser o representante de Portugal na UAE Team Emirates-XRG, perante a ausência de João Almeida, que confirmou há uma semana e meia que não ia participar devido a «problemas de saúde que afetaram a preparação».
Esta vai ser a estreia do jovem de 22 anos em grandes provas, sendo que a apresentação da constituição das equipas foi feita na passada quinta-feira, na Bulgária, onde vai ser feita a primeira de 21 etapas - termina a 31 de maio em Roma. Adam Yates será o líder da equipa, composta ainda por Igor Arrieta, Mikkel Bjerg, Jan Christen, Jhonatan Narvaez, Marc Soler, Jay Vine e António Morgado.
Esta quinta-feira, foi realizada uma conferência de imprensa com o luso, que se demonstrou bastante entusiasmado, naturalmente, mas garantiu que não há pressão. «Para as clássicas e assim, em que tenho que preparar a performance e tenho que estar nos grupos da frente, sim tenho pressão, mas aqui tenho zero pressão. Vou tentar aproveitar a corrida», explicou à agência Lusa e restante imprensa portuguesa, admitindo que a preparação não foi muito positiva.
«Não tive muito tempo para recuperar e para conseguir fazer um bloco grande de treinos. Acabei Roubaix e tinha três semanas até aqui. A preparação não foi a melhor, mas também não estou para ganhar, nem nada disso. Então, estou muito feliz por estar à partida», confessou o bicampeão nacional de contrarrelógio. «Vou tentar ver como é que me estou a sentir. Claro que se tiver uma oportunidade, não a vou desperdiçar», garantiu, afirmando que o seu objetivo é ajudar os líderes da equipa.
Questionado sobre João Almeida, António Morgado demonstrou-se triste por não aproveitar este momento com o compatriota. «Gostava que a primeira vez fosse com um português do gabarito do João, mas sei que o melhor para ele é estar em casa, neste momento, e recuperar para as próximas corridas», disse, explicando que a sua equipa teria mais possibilidades de vencer com o luso.
«Nós tínhamos o João [Almeida] para vir cá, era um líder mais consolidado. Agora, temos dois líderes que estão muito fortes neste momento. Vamos ver como é que a corrida se desenrola. Se tivermos que controlar, vai ser complicado entrar em fuga, ou mesmo impossível, e não é do nosso interesse. O João já demonstrou que consegue estar três semanas perto de Vingegaard e acho que era um grande embate. Mas pronto, se não há, acho que os dois atletas que estão aqui estão superfortes também. E seguramente vamos tentar», apontou, atribuindo o favoritismo ao dinamarquês.
«Ele está superforte, mas vamos ver como vai correr. Se há uma equipa que o consegue bater, somos nós. Já o batemos – eu não, mas a equipa. Mas sim, claramente ele é o favorito número um, com grande espaço. Vai ser toda a gente para o derrotar», reforçou.
Porém, o jovem caldense não é o único luso em prova: vai ter a companhia de Afonso Eulálio e de Nelson Oliveira (Movistar), o recordista português em grandes Voltas – vai para a 23.ª participação – no pelotão desta 109.ª edição da corsa rosa. «Gosto sempre de ter portugueses a correr comigo. Para mim, a corrida que eu mais gosto [de fazer] o ano todo é a Volta ao Algarve. Posso ir a falar com portugueses o dia todo para desenjoar um bocado de falar outras línguas e poder falar o nosso idioma. Para mim, é sempre bom», completou.