O presidente da FPF, Pedro Proença, celebrou um ano no cargo a 14 de fevereiro de 2026 - Foto: FPF

Alerta FPF! O que se passa com a formação e onde pára Pedro Proença?

Entre o deserto de portugueses nos onzes da Liga e o descalabro das seleções jovens, a formação vive crise de identidade. Onde está, agora, a voz de Proença?

Enquanto os líderes do futebol português se divertem num jardim infantil de polémicas vazias, trocando insultos de baixo nível sobre cheiros de balneário e picardias de algibeira, algo profundamente preocupante está a acontecer nos alicerces da nossa casa.

Com todos a olhar para o lado, entre o silêncio cúmplice e a ausência de estratégia, a formação em Portugal está a desmoronar-se. O milagre português, que durante décadas espantou o mundo, parece ter entrado num processo de autodestruição assistida perante a passividade de quem deveria zelar pelo nosso maior património.

A realidade da 28.ª jornada da Liga e os resultados internacionais das últimas semanas são um murro no estômago da nossa autoestima. O que se passa na Cidade do Futebol? A pergunta é legítima e a resposta parece enterrada num silêncio institucional asfixiante.

Olhemos para os factos: no último fim de semana, o Sporting de Rui Borges deu uma lição de identidade ao apresentar sete portugueses no onze contra o Santa Clara, com os quatro golos da vitória a serem assinados por jogadores nacionais. Foi a exceção gloriosa que confirma uma regra doentia. No mesmo campeonato, o jogo entre Rio Ave e Alverca ofereceu-nos um cenário distópico: entre os 22 jogadores que iniciaram a partida, apenas um — repito, um! — era português. Como é possível pedir renovação se a nossa classe média fechou as portas ao produto interno em prol de um mercado de low-cost estrangeiro sem critério?

Este cenário de clubes transformados em entrepostos de mercadoria humana tem reflexo direto nas Seleções. Há apenas seis meses, celebrávamos o topo do mundo. Hoje, o descalabro é total. A Seleção Sub-17, que em 2025 detinha os títulos mundial e europeu, está fora das próximas grandes competições. O tombo dos sub-19 foi ainda mais violento: muitos dos heróis do ano passado sofreram humilhação histórica de 0-6 frente à Inglaterra, ficando também fora do Europeu. Passámos da glória ao abismo num piscar de olhos, e a sensação é de que a fábrica não está só a gripar; está a ser desmantelada pela precocidade das vendas e pela falta de espaço para errar e para crescer nas equipas principais.

E onde está a liderança? No ano passado, Pedro Proença foi rápido a subir ao palanque para colher os louros de sucessos que eram fruto de um trabalho estrutural anterior. Agora que ocupa a presidência da FPF há mais de um ano, e perante este cenário de terra queimada, Proença remete-se a um silêncio cómodo. Não houve uma palavra sobre a queda dos sub-17 e dos sub-19, nem uma linha estratégica para inverter a desertificação de portugueses na nossa Liga.

A formação tornou-se uma linha de montagem sem alma, focada no negócio imediato e esquecida da sua missão. Se a FPF continuar a assobiar para o lado enquanto os nossos jovens talentos são vendidos antes de aprenderem a fazer a barba, o futuro terá os dias contados. É tempo de acordar, sr. presidente. A grandeza de uma Federação não se mede pelos troféus de ontem, mas pela coragem de proteger o amanhã.