AG da Liga suspensa: «dúvidas de interpretação» levaram ao chumbo da proposta do mecanismo de solidariedade
Decorreu esta sexta-feira, na sede da Liga, no Porto, apenas com as ausências de Nacional e Marítimo (das 33 sociedades desportivas totais), a Assembleia Geral extraordinária da Liga, para apreciação, discussão e votação da proposta de revalidação da deliberação de uma outra Assembleia de 27 de setembro de 2024, referente à distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA.
Este mecanismo reparte as verbas da UEFA para os clubes quer da I e II Ligas, sendo que apenas os clubes da primeira divisão deveriam votar, para que a distribuição seja feita tal como o mecanismo prevê. O resultado final foram 12 votos a favor (quando seriam necessários 14), quatro contra e uma abstenção, sendo que Nacional não marcou presença. Tal cenário não se revelou suficiente para os 75% de aprovação necessários para a revalidação. Importa referir que, sabe A BOLA, o Rio Ave pediu que a votação fosse secreta, quando a Mesa perguntou se alguém se opunha a que fosse feita por braço no ar.
No entanto, «após várias questões e dúvidas de interpretação quer da aprovação que foi feita na Assembleia de 2024, quer aquelas que surgiram esta sexta-feira», a assembleia não chegou a terminar e os trabalhos foram suspensos.
A explicação foi dada no final da reunião magna pelo presidente da Assembleia, António Saraiva. «A Assembleia era para a revalidação de uma decisão que foi tomada em Assembleia de 27 de setembro de 2024. A não revalidação dessa decisão e desse mecanismo de distribuição, fez surgir dúvidas de interpretação que são necessárias esclarecer para que a revalidação possa ser feita. Por isso, suspendemos a Assembleia e retomá-la-emos brevemente [ainda sem data], sustentados em pareceres que hoje efetivamente não tínhamos.»
«Repito, estávamos hoje a fazer uma revalidação da decisão tomada. Só que constatámos que a decisão tomada tem ali algumas questões que levantam duvidas. Ddou um exemplo: tem que haver a aprovação de 75% dos clubes da I Liga ou 75% dos presentes na Assembleia ou 75% do universo total das sociedades desportivas da Liga... Enfim, apenas um detalhe mas há aqui algumas questões que é necessário esclarecer para que a revalidação esteja bem suportada», acrescentou António Saraiva.
Reinaldo Teixeira confiante numa solução
Depois de António Saraiva, foi a vez de Reinaldo Teixeira falar. O presidente da Liga demonstrou-se confiante quanto a um entendimento futuro: «Estamos aqui a dois votos de cumprir o requisito que no fundo é de 75%. Acredito que no diálogo que tem havido e que as sociedades desportivas têm umas contra as outras. Uns perdem, outros ganham, uns ficam insatisfeitos porque perdem, outros ficam satisfeitos porque ganham, mas procuram conversar para encontrar formas de entendimento para que consigam ter a melhor solução para o passo seguinte... e acredito que esse equilíbrio será conseguido.»
«Vamos aguardar pelo esclarecimento das questões técnicas, marcar uma nova data para que se possam retomar os trabalhos desta Assembleia», perspetivou.
«Esclarecidas as questões técnicas (…) haverá com certeza entendimento até porque reparem... eu volto a reiterar isto, que acho que é importante termos: a maioria da votação é claramente no sentido do voto da distribuição dessas verbas», acrescentou, salientando que «faltam apenas dois votos a favor» para um entendimento.