O remate de Deniz Gul que empatou a partida (Foto Catarina Morais/Kapta+)
O remate de Deniz Gul que empatou a partida (Foto Catarina Morais/Kapta+)

Afinal era Deniz quem tinha a Gul(a) do golo (as notas do FC Porto)

Turco passou de patinho feio a cisne e desatou um nó que estava difícil de desfazer para o dragão. Bednarek é um patrão daqueles bons e Kiwior fez uma coisa mal e muitas bem. Caribenho não congelou
O melhor em campo: Deniz Gul (7)
Um patinho feio, por vezes, pode transfigurar-se em cisne duma época para a outra, basta uma mudança de treinador, e é isso que acontece com o jovem turco. Está muito melhor em termos técnicos e apurou o faro pelo golo. O trabalho no remate certeiro que deu o empate aos dragões é fantástico, com receção perfeita, rotação e chuto indefensável para Wiegele. Foi lançado no encontro quando Farioli esperava e desesperava por alguém em agredisse a baliza contrária com eficácia e foi aí que jogou mão a Deniz e era mesmo ele quem tinha a gula do golo, mesmo que tenha partido para 2025/26 como terceira opção para o ataque. Antes deste mais luminoso, deu imenso trabalho à defensiva contrária, com o Plzen a começar a desconfiar que a Viktoria, afinal, não era um dado adquirido, como se comprovou mesmo à beirinha do fim.

Diogo Costa (5) — Sofreu um golo em que nada poderia fazer no remate de Cerv mas no início do lance dividiu as despesas com Kiwior numa bola inofensiva que saiu toda enrolada e podia mesmo ter enredado por completo o FC Porto. De resto, apenas uma defesa atenta mas fácil, impedindo um chapéu de aba larguíssima de Prince.

Alberto (5) — Numa equipa em que na primeira parte comprometeu em termos defensivos, com alguns lances que não foram  melhor aproveitados pelos checos não foi dos piores, mas dão-se alvíssaras a quem se lembrar duma incursão danosa para o Viktoria do ex-Juventus. Demasiado comprometido em guardar o espaço portista, pouquíssimo em atacar o contrário…

 Bednarek (6) — É um patrão bom, daqueles que orienta mas também está sempre disposto a ajudar os empregados. Fartou-se de gritar com os companheiros na primeira parte quando estes pareciam estar com as ideias num lugar distante e por essa altura também errou, mas acertou o compasso e acabou o jogo a… ponta de lança.

Kiwior (6) — É verdade que fez uma coisa mal naquele passe para Diogo Costa que culminou no golo checo, mas também é verdade verdadinha que fez muitas coisas boas, como em inúmeros passes a lançar a propósito os companheiros de ataque, no remate de cabeça que culminou no penálti e naquele passe radioso para Deniz Gul empatar o encontro.

Martim Fernandes (5) — Iniciou o jogo fora da posição natural, passou depois para a direita. Numa e noutra posição não esteve especialmente bem mas também não especialmente mal. Ficou-se pelo meio termo…

 Froholdt (5) — Parece um holograma do jovem cavaleiro da Dinamarca que encantou toda a gente na fase inicial da temporada. Continua a ter muita intensidade, porém, dá sensação de ter perdido a clarividência numa rua esconsa…

Pablo Rosario (6) — E foi um caribenho (dominicano) que se apresentou de manga curta perante os três graus negativos de Plzen que não ficou com as ideias congeladas. Não lhe peçam para fazer passes a rasgar de 40 metros, todavia, entrega-se por inteiro ao jogo e raramente comete erros, o que já é bem bom. Começou a trinco, passou para lateral direito e esteve sempre numa bitola bem razoável.

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Rodrigo Mora (4) — Marcar com os olhos os adversários, normalmente, não dá bom resultado e foi isso que o prodígio fez bastas vezes. Em termos atacantes, não se sabe se foi coisa do relvado se do intenso frio em Plzen, mas a verdade é que a produção esteve imensos furos abaixo do desejável.

William Gomes (4) — 70 minutos em campo e um bloco em branco quanto a notas positivas. Elucidativo.

Samu (4) — Teve uma sombra física durante todo o jogo, Spacil, e uma mental quando foi escolhido para bater o penálti na compensação da primeira parte e falhou pela segunda vez consecutiva. Evolução notável a jogar de costas para a baliza, principalmente na hora de rececionar a bola, mas um ponta de lança faz dos golos o sustento e aí… nada. À beira do fim falhou o empate e depois do derradeiro apito do árbitro teve mais uma descarga emocional e desabou num mar de lágrimas. Mas não vale a pena: no princípio e no fim, o futebol é apenas e só um jogo.

Borja Sainz (5) — Saiu ao intervalo com alguma estranheza porque é preciso dizer que embora estivesse muito longe dum patamar de excelência foi bem melhor na primeira parte do que o extremo do lado contrário, William Gomes. Começou com um remate a fazer vento no poste esquerdo da baliza de Wiegele (3’), ficou na cara do golo e atirou frouxo (18’) e, depois, em boa posição e desperdiçou o que podia ter sido lance muito perigoso (30’).

Pepê (5) — Entrou para a esquerda, derivou para a direita e não declarou apoio inequívoco a um voto no golo dos companheiros. Mas não teve medo de assumir.

Francisco Moura (6) — Sem ser brilhante, deu vida a uma ala esquerda que antes dele estava um pouco amorfa.

Gabri Veiga (5) — Até dava a sensação de que ia ter influência na mudança do decurso da história, pois protagonizou um excelente lance (66’), mas rapidamente a lua lhe mostrou a face oculta.

Alan Varela (6) — Numa altura em que o dragão procurava desesperadamente o empate, podia desorganizar-se mas o argentino não deixou.