Victor Froholdt
Victor Froholdt

Acabou (com um valente susto) a maratona de Froholdt e o registo é impressionante

Do Copenhaga ao centro do FC Porto e da seleção dinamarquesa, chegou a um ciclo invulgar de jogos numa só temporada. Último desafio com colapso de Eriksen agitou época de afirmação. Há um jogador do FC Porto no Mundial que pode ultrapassar essa marca. Pietuszewski também com o conta-quilómetros a ferver

Acabou a maratona de Victor Froholdt — e o registo é impressionante, mesmo se o último jogo da época, pela Dinamarca, tenha terminado de forma inesperada. A partida entre nórdicos e Ucrânia, este domingo, foi interrompida aos 66 minutos, quando Christian Eriksen caiu inanimado em campo, num momento que gerou enorme apreensão.

O encontro acabou por ser dado como terminado, por acordo entre as duas equipas, com 2-1 no marcador favorável aos dinamarqueses.

Victor Froholdt fechou a época 2025/26 como o rosto maior de um ciclo competitivo absolutamente fora do comum que, na verdade, começou a construir um ano antes. Aos 20 anos, o médio dinamarquês terminou a temporada com 62 jogos oficiais, nove golos, nove assistências (sete nos dragões), somando FC Porto, seleção da Dinamarca e ainda um último registo pelo Copenhaga. Bem merece férias! Foi um último capítulo agitado de uma maratona que ajuda a explicar porque é que, em tão pouco tempo, Froholdt passou de promessa a peça central no mapa do futebol europeu.

Para se perceber o peso destes 62 jogos, vale a pena recuar a 2024/25. Ainda no Copenhaga, Froholdt já vivia em alta rotação, sempre próximo do limite. Entre liga dinamarquesa, taças internas, competições europeias e seleção, habituou-se a jogar quase sempre e terminou com 55 partidas. Essa época funcionou como preparação para o que viria a seguir: um médio jovem, mas já com corpo e cabeça moldados para responder a um calendário que costuma deitar abaixo jogadores bem mais experientes.

No FC Porto, a transição foi tudo menos tímida. Froholdt entrou, viu e explodiu. Instalou-se no meio-campo como referência, tornou-se indiscutível para Francesco Farioli e passou a ser daqueles nomes que os adeptos praticamente decoram nas fichas de jogo. A forma como foi somando minutos em todas as competições, sem grandes sinais de quebra, diz muito sobre a confiança que o italiano colocou nele. Os nove golos ajudam a contar parte da história. Partindo de zonas mais recuadas, aprendeu a aparecer na área e a escolher o momento. Para um médio, estes números deixam de ser estatística apelativa e passam a ser argumento forte na discussão sobre influência.

A época não se esgota, porém, nos dragões. Antes da transferência, Froholdt ainda acrescentou um jogo na SuperLiga dinamarquesa pelo Copenhaga, fechando uma porta antes de abrir outra. Ao mesmo tempo, o crescimento a nível de clube abriu-lhe de vez o palco da seleção principal da Dinamarca. De convocado promissor passou a opção séria, entrando na rotação e mantendo-se ligado a praticamente todas as janelas internacionais. O particular com a Ucrânia, em que voltou a ser titular, fechou a contagem nos tais 62 jogos. Olhando para trás, é difícil encontrar muitos momentos em que tenha tido tempo para respirar…

Os casos de Diogo Costa e Pietuszewski

Vista a partir do FC Porto, a história de Froholdt ganha ainda mais força quando colocada ao lado de outros casos de utilização intensiva. Um deles é o de Diogo Costa. O guarda-redes vai em 55 jogos oficiais somados, 49 ao serviço do FC Porto e seis pela Seleção Nacional. Entra agora no Mundial com margem para ultrapassar Froholdt: se Portugal fizer um percurso perfeito até à final, com oito jogos, e ele for titular em todos, chegará aos 63 encontros. A hipótese de um guarda-redes superar um médio que já leva 62 jogos mostra bem o grau de desgaste e exigência com que esta geração de jogadores lida.

Outro exemplo marcante no universo portista é Oskar Pietuszewski. Aos 18 anos, o avançado polaco terminou a época com 59 jogos oficiais, um número que impressiona tanto pela quantidade como pela diversidade de palcos. Foram 31 partidas pelo Jagiellonia, ainda antes da mudança definitiva para o FC Porto, quatro jogos pela seleção A da Polónia, já depois de ter assinado pelos dragões, e mais seis encontros pelos sub-21. Para um jogador em plena fase de crescimento, carregar quase seis dezenas de jogos numa só temporada é sinal de que clube e seleção olham para ele como solução imediata.

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