A equipa dos três r's (Ramos, Renato e Rúben) e mais uma grande noite de Félix (as notas de Portugal)
Primeira vez que marcou em dois jogos seguidos da Seleção Nacional e ambos da mesma zona: entrada da área. Recuou diversas vezes para apoiar Francisco Conceição, explorou algumas jogadas à entrada da área, mas foi o remate, ao minuto 17, que terminou em golo que o catapultou para figura maior do jogo de Oslo. Apenas a nona vez (em 59 jogos) em que completou os 90 minutos e, na última meia hora, empenhou-se em mostrar que não é só bom com a bola nos pés, pois defendeu e defendeu muito e bem.
(6) Diogo Costa — Muito trabalho na noite em que se tornou no guarda-redes mais novo de sempre a chegar às 50 internacionalizações. Primeiro a evitar, com a mão direita, que o remate de Haaland terminasse em golo (14’); depois a desviar mal, para a frente, um cruzamento de Odegaard, tendo de ser Rúben Dias a evitar que a recarga de Haaland desse golo (24’); enorme a defender, pela linha de fundo, uma cabeçada de Haaland (35’); por fim, a parar mais um remate, este fraco e à figura, do mesmo avançado (45+3’). A abrir a segunda parte (51’), defendeu para a frente um livre de Odegaard e, instantes depois, Haaland fez golo. Podia talvez ter feito melhor, mas era muito complicado. Quase a fechar o jogo (78’), fez mancha a desvio perigoso de Schjelderup.
(6) João Cancelo — Somou a 75.ª internacionalização e não foi, de modo algum, uma das mais descansadas, pois o endiabrado Nusa deu-lhe muito trabalho. Não esteve, de início, ao seu melhor nível, mas foi, pouco a pouco, subindo de rendimento, acabando muito bem, sobretudo em duas ou três ações defensivas.
(8) Rúben Dias — Imperial, no seu segundo jogo como capitão, a evitar que, após mau desvio de Diogo Costa, Haaland fizesse golo. Não teve mais intervenções a evitar golos quase certos, mas esteve sempre a nível altíssimo nas lutas intensas dentro da área, quer a opor-se a remates de fora da área, quer na sequência de bolas paradas defensivas.
(8) Renato Veiga — Oitavo jogo seguido como titular em grandes provas e praticamente intransponível. Não teve nenhum corte tão vistoso como o de Rúben Dias frente a Haaland, mas foi importante nas tais lutas dentro da área, perante adversários imponentes fisicamente. Está encontrada a dupla mais forte: Rúben e Renato, a dupla RR.
(6) Nuno Mendes — Entrou em diversas fugas, mas só uma lhe saiu verdadeiramente bem, quando abriu em Pedro Neto e o cruzamento deste apanhou João Félix à entrada da área: golo. Muito trabalho frente a Schjelderup, sim, mas sem nunca ter andado perto do nível que todos lhe reconhecem.
(6) João Palhinha — Quase dois anos depois, voltou a ser titular. Mostrou-se fortíssimo no que é fortíssimo (parar contra-ataques adversários) e menos forte no que é menos forte (atacar). Fez a falta (e viu amarelo) do livre que originou o 1-1. Melhorou muito após o golo, cortando diversas bolas e fazendo pressão muito alta sempre que necessário. Importante a ajudar Rúben Dias e Renato Veiga.
(6) Francisco Conceição — Não era titular, em grandes competições, desde a final da Liga das Nações. Teve um belo cruzamento para a cabeçada de João Neves e, antes e depois, arrancou diversas vezes da direita para o meio. Lesionou-se perto do intervalo e saiu ao minuto 56.
(5) João Neves — Comemorou os 22 anos com o jogo 29 nos AA e podia ter tido mais bola para jogar, pelo menos na primeira parte, mas esteve sempre muito centrado na marcação a Odegaard. O momento mais alto foi o desvio de cabeça, entre os centrais noruegueses, com a bola a sair por cima da barra (12’). Saiu para entrar Vitinha.
(6) Pedro Neto — Já quase o podemos considerar titular e bem o tem merecido. Sempre muito agitado e competitivo, podia ter feito melhor ao minuto 13, quando teve espaço para rematar, mas perdeu tempo e Aursnes evitou o golo. Pouco depois, porém, fugiu pela esquerda, olhou para a entrada da área e viu João Félix. Meteu-lhe a bola bem redondinha e o 11 fez o resto: golo.
(7) Gonçalo Ramos — Desde os quartos de final do Mundial 2022 (Marrocos) que, em jogos ditos oficiais, não era titular com Ronaldo no banco. Jogo sem quase destaque algum até que, aos 54’, Nyland quis meter a bola em Odegaard, mas esta foi ter a Gonçalo Ramos. Chapéu e golo. Um remate, um golo. Quatro minutos depois, voltou a marcar em novo erro de Nyland, rematando com ângulo muito apertado, mas estava em fora de jogo por meio calcanhar.
(6) Vitinha — Entrou para que Portugal tivesse mais bola e mais serenidade no meio-campo e conseguiu-o. Importante para que fosse possível à equipa respirar.
(5) Rafael Leão — Bom lance ofensivo a tentar o golo, com a bola a ir à barra, depois de corte de Aursnes. Bem melhor a defender do que era habitual.
(5) Francisco Trincão — Entrou na fase de maior pressão norueguesa e conseguiu que Portugal respirasse.
(5) Rúben Neves — Importante a defender a área e, perto do fim, a evitar, junto à linha de fundo, um cruzamento que poderia ser muito perigoso.
(5) Bernardo Silva — Tem jogado pouco e voltou a jogar pouco. Foi para o centro do terreno e foi importante a guardar algumas bolas e até a entrar bem durinho sobre Odegaard.