Suzanne Huurman / Instagram
Suzanne Huurman / Instagram

A médica de Curaçau que faz história no Mundial 2026 (fotos)

Pequena nação insular continua a dar que falar no Campeonato do Mundo

A Dra. Suzanne Huurman é a única mulher entre 47 homens a chefiar uma equipa médica no Mundial 2026. A médica da seleção de Curaçau é também apenas a terceira mulher médica na história de 96 anos da competição. E quando a FIFA a informou de que seria a única a chefiar uma equipa médica neste torneio, a reação inicial não foi de surpresa.

«No início não me apercebi, porque é muito normal ser a única, ou uma das poucas, mulheres na sala», afirma à BBC, acrescentando: «Mas espero ver mais mulheres em breve, porque há muitas mais por aí que são capazes».

Nascida no Brasil, a Dra. Huurman tem um currículo que inclui passagens por Real Madrid, PSV e Go Ahead Eagles, pela equipa médica da equipa feminina de andebol neerlandesa e também apoiou a equipa dos Países Baixos nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.

Galeria de imagens 24 Fotos

Apesar de não se sentir intimidada por trabalhar num ambiente predominantemente masculino, Huurman reconhece os desafios. «Se lhes mostrarmos que somos capazes e boas no que fazemos, é fácil que nos aceitem, porque se trata de qualidade e desempenho. Mas temos de nos provar. É difícil entrar, porque no início há sempre muita gente a dizer que não, que não pode ser possível, como é que as mulheres podem trabalhar num ambiente masculino?»

As primeiras três médicas num Mundial masculino

A Dra. Silja Schwarz também está no Mundial 2026 com a seleção alemã, apesar de não ser chefe dessa equipa médica; além de Schwarz e de Huurman, apenas a Dra. Celeste Geertsema, com a Nova Zelândia no Mundial de 2010 na África do Sul, também esteve com equipas de futebol no Mundial masculino.

No jogo entre Curaçao e a Alemanha, pela primeira vez na história do Mundial masculino todas as equipas médicas tinham mulheres: a médica de jogo da FIFA, Dra. Emma Lunan; a responsável pela equipa médica de Curaçao, Dra. Suzanne Huurman; a médica da seleção alemã, Dra. Silja Schwarz; a médica de medicina de urgência, Dra. Carrie Bakunas; e a Dra. Kerry Peek, responsável pela deteção de lesões.

Ultrapassar barreiras

Huurman aponta a cultura de disponibilidade total como uma das principais barreiras para a entrada de mais mulheres na área. «Não se trata apenas das capacidades. Ser uma boa profissional é uma coisa, mas há as viagens, o estilo de vida que pode afetar a vida pessoal», refere. A médica salienta que questões como a família ou uma gravidez podem afastar uma profissional durante um período que é difícil de conciliar com a época desportiva.

A Dr.ª Huurman abordou também os desafios que as mulheres enfrentam no futebol profissional, incentivando-as a provar o seu valor perante as adversidades. «Ouvi um milhão de vezes: 'não podes fazer isto porque és mulher', especialmente no futebol profissional», partilhou. «Mas se provares a tua qualidade e fores uma boa profissional, consegues fazê-lo».

A médica sugeriu ainda que modelos de trabalho mais flexíveis poderiam ser mais adequados para as médicas, embora reconheça que o desporto de elite ainda não está habituado a essa abordagem. «Eles estão habituados a ter um médico permanente com uma equipa», comentou.

A iniciar sessão com Google...