O momento em que Trubin cabeceia para o golo do Benfica - Foto: IMAGO

A Luz não perdoa: o pesadelo de Courtois em dois cabeceamentos e uma baliza

O Estádio da Luz voltou a ser palco de um desfecho cruel para o belga, ligando o empate de Sergio Ramos em 2014 ao golo tardio do Benfica em 2026, dois momentos que mudaram o destino das suas equipas na Champions

Há estádios que se marcam a carreira de um jogador. E há outros que ficam. Para Thibaut Courtois, o Estádio da Luz é claramente do segundo tipo. Um lugar marcado por um déjà vu, que parecesse repetir o mesmo golpe — sempre no último suspiro, na mesma baliza, com consequências duras para a equipa que defende.

A primeira ferida abriu-se em 2014, na final da Liga dos Campeões. Courtois vestia então a camisola do Atlético Madrid e estava a poucos segundos de tocar o céu. Aos 90+3’, com o título praticamente nas mãos, Sergio Ramos subiu mais alto do que todos e cabeceou para o tento que, na altura, deu o empate ao Real Madrid. O Atlético nunca mais recuperou. No prolongamento, caiu por completo e acabou derrotado, por 1-4. A Champions que parecia certa transformou-se num trauma.

Doze anos depois, a Luz voltou a ser palco de um déjà vu cruel, na última jornada da fase de liga da Champions 2025/26. Curiosamente, com Courtois a defender as redes do, outrora, inimigo Real Madrid. O cenário era diferente, mas a lógica do castigo manteve-se. Aos 90+8’, no último lance da partida, Trubin saiu da baliza do Benfica, apareceu na área e, de cabeça, fez o 4-2 para as águias. Outra vez um cabeceamento. Outra vez na mesma baliza. Outra vez sem resposta possível.

O golo não decidiu um título, mas nem por isso deixou de ter peso : empurrou o Real Madrid para fora do top 8 da fase de liga e afastou-o do apuramento direto para os oitavos de final. Em vez de descanso e estatuto, os merengues ficam agora condenados ao play-off - um desvio indesejado num calendário já sobrecarregado.

Há algo ingrato nestes dois momentos para Courtois. Em nenhum deles houve erro grosseiro, falha técnica evidente ou má decisão individual. Foram lances de área, de confusão, de segundos finais, onde o guarda-redes belga pouco (ou nada) podia fazer.

Do Atlético que viu um sonho europeu ruir ao Real Madrid que perdeu controlo do seu destino, a constante é a mesma: o último lance, o cabeceamento fatal, a Luz como cenário. O estádio manteve-se. A baliza também. O adversário mudou. E o desfecho voltou a ser amargo.