A derrota mais saborosa do Atlético para tombar o Barcelona (crónica)
MADRID — Numa eliminatória espetacular, o Atlético Madrid conseguiu o apuramento para as meias-finais da UEFA Champions League. Simeone voltou a impor-se a Hansi Flick, ganhou-lhe na Taça do Rei e agora voltou a fazer o mesmo na Champions: depois da vitória por 2-0 na primeira mão, os colchoneros perderam por 1-2, resultado suficiente para eliminarem o Barcelona.
Lamine Yamal já tinha ameaçado na conferência de imprensa prévia ao desafio que ele e a sua equipa entrariam no Metropolitano dispostos a dar a volta à eliminatória. O jovem jogador não tardou nem um minuto em dar o primeiro aviso, com um remate na zona frontal que obrigou Musso a ter de fazer uma grande intervenção para evitar o primeiro golo, que surgiria logo a seguir. Lenglet não deu pela chegada de Lamine, que lhe roubou a bola, cedeu-a a Ferran, recebeu do companheiro e, desta vez, não perdoou e colocou o Barça em vantagem no marcador.
Um duche de água fria para os adeptos locais, que mais gelados ficaram quando, aos 24 minutos, Dani Olmo lançou em profundidade Ferran, que se adiantou em velocidade e chutou de forma certeira para fazer o segundo golo.
O ritmo trepidante com que o Barça iniciou a partida fez com que, a meio da primeira parte, a eliminatória já estivesse igualada. Era o preço que o Atlético estava a pagar por não poder dispor dos habituais defesas centrais. Os que jogaram, Le Normand e sobretudo Lenglet, estiveram demasiado desacertados e permitiram que os atacantes do Barça tivessem encontrado um corredor por onde entrar uma e outra vez sem quase oposição.
O Barcelona esteve muito perto de conseguir o terceiro golo num remate de cabeça de Fermín que Musso defendeu com o corpo. Sem querer, o guarda-redes deu com o pé na testa do jogador visitante, que teve de ser assistido durante alguns minutos. Um descanso forçado que chegou na altura ideal para o Atlético, que pôde respirar um pouco numa altura em que estava desorientado e sem saber como parar a intensa pressão do adversário.
Pouco depois, à meia hora, a turma de Simeone conseguia diminuir a diferença. Llorente, sem oposição, avançou pela direita, recebeu o ótimo passe de Antoine Griezmann e centrou para a área, onde apareceu Lookman para, com um chute certeiro, bater Joan García. Com este tento o Atlético fez o mais difícil: recuperar-se psicologicamente do duro golpe que significou os dois golos sofridos e colocar-se de novo em vantagem na eliminatória. A vitória tangencial do Barça manteve-se até final de um magnífico e trepidante primeiro tempo, em que o Barça brilhou e Griezmann esteve sensacional. Foi a grande figura da turma madrilena.
O Barça iniciou a segunda tarde a grande ritmo, à procura do terceiro golo, que chegou a marcar por intermédio de Ferran Torres mas que foi anulado por fora de jogo. O tempo foi passando, o Atlético, aguentando bem, foi, pouco a pouco, sacudindo a pressão e organizando alguns contra- ataques. Sorloth isolou-se num deles, Eric García saiu ao seu encontro, derrubou-o e, depois de consultar o VAR, o árbitro decidiu expulsar o jogador do Barcelona, que teve de disputar a parte final da partida com um jogador menos e com a obrigação de marcar, pelo menos um golo para forçar o prolongamento.
Flick pôs em campo toda a artilharia atacante disponível, incluindo Araújo que, no último minuto, esteve perto de conseguir o golo que até final o Barcelona não conseguiu marcar, apesar de todos os esforços e de, com muito orgulho, ter feito uma grande exibição e deixado a vida no relvado do Metropolitano. Tentou tudo até ao derradeiro momento e fez sofrer muito o Atlético, que teve o mérito de ser uma equipa solidária que aguentou tudo o que pôde e que soube valer a vantagem conseguida na primeira mão. Uma noite histórica que o leva às meias finais da Champions.
Antes, no sábado que vem, poderá ganhar a Taça do Rei e concluir, em grande, uma semana apoteótica. Desilusão para João Cancelo, que, como todo o Barcelona, aspirava a chegar mais longe nesta Liga dos Campeões. Jogou como um avançado, aplicando-se a fundo, procurando criar perigo nas incursões e nos centros para a área. Esgotado fisicamente, foi substituído nos últimos minutos.