«A confiança de Mourinho valeu mais do que 10 Champions»
O antigo defesa do Inter, Marco Materazzi, recordou a sua carreira no clube, destacando a importância de José Mourinho e analisando a atualidade da equipa, que esta noite disputa a final da Taça de Itália no Estádio Olímpico.
Com um palmarés recheado de 15 troféus conquistados ao serviço dos nerazzurri, para além do Mundial de 2006, Materazzi, hoje com 52 anos, é uma voz autorizada para falar do clube. O antigo internacional italiano, que venceu quatro Taças de Itália, antevê uma final de resultado imprevisível.
Na sua análise à temporada, em entrevista à Gazzetta dello Sport, Materazzi mostrou-se particularmente satisfeito com o percurso de Marcus Thuram. «Estou contente e orgulhoso do caminho de Thuram. Também ele foi um pouco criticado e duvidaram das suas qualidades. Nesse período, mandei-lhe muitas mensagens a dizer para não desistir e para se lembrar do quão forte é», revelou. O antigo jogador acredita que o regresso da dupla com Lautaro Martínez foi decisivo. «Quando os equilíbrios foram restabelecidos, ou seja, quando ele e o Lautaro voltaram a jogar juntos, viu-se quem são os homens que pesam», acrescentou, sublinhando que o Inter «fará bem em segurá-lo».
Sobre Lautaro, os elogios são igualmente rasgados: «A alguém que marcou 17 golos, só na Serie A, só tenho a agradecer». Materazzi lamentou a lesão do argentino num momento crucial da época. «É uma pena que se tenha lesionado num momento delicado, que o obrigou a falhar também a segunda mão da Champions com o Bodo/Glimt. Se tivesse jogado essa partida, estaríamos a falar de outro percurso do Inter na Champions», considerou.
No entanto, para a final, Materazzi aponta outro nome como potencial figura: «Não nos esqueçamos de Nicolò Barella. Num momento em que muitos pensavam que estava acabado, ele lembrou quem é. Mostrou garra, marcou golos importantes e fez grandes exibições, mesmo com a braçadeira de capitão. Voltou a ser o verdadeiro ele. Por isso, digo: atenção a Barella.»
O antigo defesa também comentou a mentalidade da equipa do Inter, que, segundo ele, não abrandou após atingir os seus objetivos. «Vi um Inter que não desligou a ficha. É uma equipa determinada a conquistar tudo o que pode», afirmou, elogiando as escolhas acertadas do clube.
Questionado sobre as suas memórias da Taça de Itália, Materazzi destacou a final de 2010, não apenas por fazer parte do histórico Triplete, mas por um motivo pessoal ligado a José Mourinho.
«Guardo com mais carinho a de 2010. Não por fazer parte do Triplete, mas porque foi uma Taça de Itália em que joguei sempre. No início do ano, o Mourinho chamou-me e disse: 'Gostaria que ficasses connosco, mas leva o teu tempo para decidir'. Dois minutos depois, liguei-lhe de volta: 'Quero ficar'. Ele disse-me que chegariam outros jogadores e que eu não seria titular, e para mim estava tudo bem. Dois dias antes da final, o José aproximou-se de mim e perguntou: 'Queres jogar a final?'. Deu-me confiança e ganhámos aquela Taça de Itália. Para mim, essa confiança valeu como se tivesse ganho dez Ligas dos Campeões.»
Em contraste, a final que gostaria de voltar a jogar é a de 2007, perdida por 2-6. «Provavelmente estávamos bêbados porque tínhamos acabado de ganhar o scudetto», brincou.