Abel Ferreira, treinador do Palmeiras, é uma exceção no panorama dos treinadores no Brasil - Foto: IMAGO

À atenção dos treinadores portugueses: cuidado com as vitórias

Dois oito despedidos no Brasileirão só dois perderam na jornada do adeus. Imprensa brasileira recorda que em média, técnicos não resistem a quatro jogos sem ganhar

«O Brasileirão demite mais treinadores por ano do que a Premier League a cada cinco edições», «estudo com 126 ligas aponta Série A e da Série B do Brasileirão no top-10 das que mais despedem», «vida útil de treinador do Brasil é quatro vezes menor do que na elite europeia»... Uma rápida pesquisa online em títulos da imprensa chega para provar que Brasileirão e demissão rimam. Mas uma outra manchete, de 2023, explicava que «em média, técnicos não resistem a quatro jogos sem ganhar». Pois em 2026, parece que nem a jogos a ganhar eles resistem.

O despedimento de Martín Anselmi, pelo Botafogo, é o último caso: o ex-treinador do FC Porto caiu após importante vitória por 2-1 na casa do Red Bull Bragantino e meros 90 dias no cargo. Desde a Era John Textor, proprietário americano do clube, só Luís Castro treinou os alvinegros por mais de um ano. O português acabaria por sair pelo próprio pé, rumo ao Al-Nassr, da Arábia Saudita, assim como o compatriota Artur Jorge, depois de conquistar Brasileirão e Libertadores, decidiu partir para o Al Rayyan, do Qatar. Bruno Lage e Renato Paiva foram demitidos após 88 e 123 dias, respetivamente.

Antes de Anselmi, causou comoção internacional a saída de Filipe Luís do Flamengo, após um triunfo estadual por 8-0 sobre o Madureira. O último jogo para o Brasileirão fora um triunfo no dérbi com o Botafogo. Pelo meio, o jovem treinador perdeu as supertaças sul-americana e brasileira mas, pensou-se, teria crédito pelas conquistas de Brasileirão e Libertadores de dois meses antes. Não tinha. E Hernán Crespo foi despedido do São Paulo mesmo liderando, contra as expectativas, o Brasileirão, e vitória na jornada anterior. Perdeu, pelo meio, a meia-final do Paulistão para o rival Palmeiras

No Remo, o colombiano Juan Carlos Osorio partiu após empate com o Internacional mas derrota no Paraense para o rival Paysandu. Em Belo Horizonte, Tite e Jorge Sampaoli também perderam os respetivos cargos no Cruzeiro e no Atlético Mineiro logo a seguir a empates: ambos por 3-3, o da Raposa com o Vasco da Gama e o do Galo com o Remo. Dos oito demitidos, portanto, só dois, ou seja, 25% saíram após derrotas: Fernando Diniz, no Vasco, e Juan Carlos Vojvoda, no Santos. Atenção, pois, para os quatro treinadores portugueses na prova: cuidado com as vitórias.