A análise de Pedro Henriques à arbitragem do Académico de Viseu-FC Porto
5' Legal. Golo dos dragões esteve em análise, André Silva em jogo (8 cm), na construção da jogada William Gomes colocou a mão direita na barriga de Gustavo Costa, mas em nenhum momento o agarrou, puxou ou impediu de prosseguir. Sentiu o contacto e deixou-se cair.
5' Uma das heranças do Mundial, com extensão às ligas nacionais, é a de promover o jogo fluido: deixar jogar, privilegiar os contatos e não interromper o jogo por tudo. Além disso, as diretrizes definem que o VAR, para reverter uma decisão, deve basear-se no que é claro e óbvio. Com isto, temos assistido a quedas fáceis de jogadores que os árbitros acabam por não valorizar. Este lance em particular, do qual nasceu o primeiro golo portista, enquadra-se neste contexto. William Gomes põe a mão na barriga de Gustavo Costa, mas em nenhum momento o agarra ou puxa a camisola. Fica a dúvida se retarda ou impede a progressão, mas fica a certeza de uma queda fácil e forçada assim que o jogador sente o contacto. Quanto à questão de saber se o VAR poderia intervir: considerando que, após a recuperação de bola, esta foi jogada para trás e um jogador do Viseu intercetou um primeiro cruzamento, restava saber se estaríamos na mesma fase de ataque (que é o que permite a intervenção do VAR para reverter uma eventual falta). A resposta é sim, estamos na mesma fase de ataque. A bola não recuou para o meio-campo e o facto de um jogador intercetar a bola não significa que a sua equipa tenha ganho a posse da mesma. Como tal, as premissas de intervenção estavam lá.
30' Em jogo. Segundo golo dos dragões sem qualquer infração ao nível do fora de jogo. Quando Bednarek faz o passe para Pepê, no corredor esquerdo do ataque dos azuis, este está em posição legal, pois têm mais de dois adversários entre ele e a linha de baliza.
A tentativa clara de deixar jogar, de privilegiar o contacto físico, não caindo na tentação do apito, nas quedas facilitadas dos jogadores.
O escasso tempo adicional dado no fim do segundo tempo, os dois cartões amarelos que ficaram por mostrar e a distância nas barreiras.
30' Amarelo. André Silva entrou de pé alto, acabando por acertar lateralmente na cabeça de Luís Silva. Para além da entrada em si ser negligente, o local da falta, entrada da área e em zona frontal, corta um potencial ataque prometedor. Devia ter visto o amarelo.
31' Distância. No pontapé livre a favor do Académico Viseu, o árbitro não colocou a barreira à distância regulamentar (9,15 m), menos de um metro garantidamente. É um ponto a rever para o árbitro, pois as bolas paradas, sendo tão importantes, impõem-se total rigor nas barreiras.
45’ Foram dados seis minutos de tempo extra, em virtude das seguintes incidências, a assistência medica em campo a Zaidu, a paragem para hidratação (1.58') e os dois primeiros golos onde o árbitro esteve à espera da revisão VAR para a confirmação dos mesmos.
47' Dúvida. Pepê caiu na área em lance com Robinho: o extremo dos dragões já está no ar, em voo e desequilibrado, mas parece que o visiense pode ter dado um pontapé com a sua perna direita, mas com péssimas imagens e repetições, benefício da dúvida para o árbitro e VAR.
57' Agarrão. Com a mão esquerda, Kahraman agarrou e puxou de forma demasiado ostensiva, evidente e persistente a camisola de Gabri Veiga, comportamento antidesportivo que deveria ter sido sancionado disciplinarmente com o respetivo cartão amarelo.
90’ Foram dados apenas três minutos de tempo extra, escasso para as incidências que ocorreram no segundo tempo, pois com a paragem para hidratação que começou aos (77'10'') e com o jogo a recomeçar aos (79'18''), só aí tivemos dois minutos, se acrescentarmos as cinco paragens para substituições, onde entraram oito jogadores, tínhamos que ter muito mais tempo.
A nota do árbitro Miguel Nogueira, da AF Lisboa (6)
Assistentes: Paulo Brás e Nuno Pires; 4.ºárbitro: Ricardo Baixinho; VAR/AVAR: Pedro Ferreira/Nuno Eiras