«25 por cento do percurso», pancadas em Gabri e Samu «ao lado»: tudo o que disse Farioli
Francesco Farioli, técnico do FC Porto, fez a análise à vitória por 1-0, diante do Gil Vicente, a contar para a nova jornada da Liga, na sala de imprensa do Estádio Cidade de Barcelos.
— Está orgulhoso da exibição?
— Com certeza. Foi muito importante vencer, num campo bastante difícil, contra um adversário muito sólido e que estava no auge da sua forma. Falámos sobre isso ontem: eles têm feito um trabalho incrível. Por isso, foi fundamental ter uma resposta adequada após o jogo da Liga dos Campeões, com uma exibição de muita atitude, grande determinação e, acima de tudo, conquistar os três pontos para chegar aos 27.
— Nove vitórias em nove jogos. O que representa para o grupo?
— Estamos apenas a 25 por cento do percurso. É evidente que estamos muito satisfeitos com o ritmo que temos vindo a apresentar, mas ainda estamos em meados de outubro. A época é muito longa, há muito pela frente, várias coisas a afinar e muito trabalho a desenvolver.
— Foi uma noite mais transpirada do que inspirada?
— Sem dúvida. Sabíamos perfeitamente que não teríamos uma passadeira estendida para caminhar. É sabido que, pelo nível do campeonato e em particular quando jogam contra nós, os adversários encaram cada jogo como uma autêntica final. Vê-se isso no espírito, na concentração, no compromisso coletivo e na vontade que têm de mostrar qualidade e conseguir um resultado positivo. Isso eleva naturalmente o nível de exigência em cada partida que disputamos. Nesse aspeto, o jogo foi exatamente aquilo de que estávamos à espera: um duelo muito disputado. É por isso que damos enorme valor a esta vitória.
— Como está Pietuszewski?
— Teremos de avaliá-lo nas próximas horas. Sentiu um desconforto. Não parece grave, mas teremos de analisar com mais detalhe.
— Lançou o Santiago Gimenez, um ponta de lança, para a direita, mesmo tendo o Gabriel Mec no banco, que anseia pela estreia. Porquê?
— Temos diversas alternativas à disposição. Tratava-se de uma fase do jogo em que precisávamos de determinadas características em campo. O Gabriel Mec é um jogador que está em evolução e era uma opção que tinha em mente, mas, face ao desenrolar do jogo, decidimos manter certos atletas no terreno e seguir por outros caminhos. Agora entramos num ciclo em que vamos mesmo precisar de todos, como sempre. Hoje tivemos o melhor exemplo disso: o Oskar ficou de fora no aquecimento, o Borja entrou e acabou por ser eleito o melhor em campo. Esta é a força do coletivo e do grupo. No momento em que a equipa necessita, é essencial que todos os jogadores estejam preparados para dar um passo em frente e agarrar a oportunidade.
— Que falta sente do William Gomes num jogo como este?
— Estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para que recupere o mais depressa possível. É um jogador que, desde a época passada, comprovou a sua importância e o seu papel na equipa por tudo o que acrescenta em qualidade, energia e ética de trabalho. É um atleta que queremos muito ter de volta. A zona do tornozelo é sempre muito sensível e ele ainda convive com algumas dores. Tem lutado diariamente para ficar disponível quanto antes, mas teremos de acompanhar a evolução dia a dia, consoante a reação do tornozelo. Esperamos contar com ele muito em breve.
— Lançou o Inbeom ao intervalo para o lugar de Gabri Veiga. Que impacto teve esta alteração?
— Foi uma decisão ponderada. O Gabri sofreu algumas pancadas nas pernas durante a primeira parte e vem de uma sequência longa de jogos muito exigentes, com bastante desgaste acumulado. Como qualquer atleta, para render ao mais alto nível precisa de estar fresco e com outra capacidade de aceleração nos primeiros metros. Perante essa sobrecarga e os toques sofridos, entendi que era necessário injetar energia renovada. O impacto do Inbeom foi bastante positivo. Todos terão o seu papel ao longo da temporada. Quanto ao Gabri, já o dissemos várias vezes: o rendimento que teve nestes primeiros três ou quatro meses de competição tem sido extraordinário e esperamos que assim continue nas próximas semanas.
— Como avalia a entrada de Samu? No final parecia chateado com alguma coisa…
— O Samu entrou com um espírito fantástico, com vontade de ajudar, de pressionar e de marcar. Como ponta de lança, quer sempre faturar. Hoje deu o máximo e foi inclusive muito generoso em dois lances nos quais podia ter rematado à baliza e optou por servir um colega que estava em melhor posição para finalizar. É exatamente essa mentalidade de que precisamos. No final, estava simplesmente três ou quatro metros mais ao lado a aplaudir os adeptos.
— Acha que na primeira parte o FC Porto foi previsível na organização ofensiva?
— Faltou alguma eficácia para progredir no terreno com a velocidade pretendida. Foi um exercício de paciência para fazer oscilar o bloco adversário. Sabíamos de antemão que seria difícil defrontar uma equipa tão competente em bloco baixo. Nesses contextos, são determinantes o drible, a velocidade de circulação e o timing certo na definição. Foi uma partida complexa e, por isso, esta vitória tem um sabor ainda mais especial.