Golo solitário de Borja Sainz resolveu o jogo
Golo solitário de Borja Sainz resolveu o jogo

Rendimento mínimo garantido pode saber a pouco mas chega (crónica)

Depois de duas derrotas no patamar europeu, FC Porto regressou ao conforto da Liga caseira e aplicou a habitual fórmula, que não encanta, não enche o olho, mas rende pontos. E vão nove vitórias em nove jogos, desta feita frente a um Gil Vicente de manta curta, que pouco apoquentou Diogo Costa…

Num momento de algumas dúvidas, após uma falsa partida que já vai em três jogos na UEFA Champions League, a visita do campeão nacional a Barcelos, onde a equipa de Luís Pinto vivia ainda a euforia de ter ido derrotar o SC Braga à Pedreira, devia ser vista com alguma apreensão, porque se aos espirros internacionais os dragões juntassem um espirro interno, viria aí gripe pela certa. 

A equipa de Barcelos até começou por querer ser atrevida, mas a verdade é que lhe faltaram argumentos para ultrapassar a organização defensiva de Farioli, implacável na aplicação da fórmula ganhadora que encontrou para consumo interno.

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Curiosamente, este jogo, que no minuto seis teve duas situações de perigo, a primeira abortada pela lentidão de Santi García e a atenção de Alberto, e a segunda resolvida com uma excelente intervenção de Lucão a remate de Borja Sainz , teve dez minutos completamente partido (entre os 10 e os 20 minutos), sem que os meios-campos se impusessem, com as transições ofensivas a prevalecer. Mas a verdade é que acabou por ser mais fogo de artifício do que fogo real, sem que se registassem lances de perigo real junto a qualquer das balizas.

Com sistemas à partida semelhantes, o 4x3x3 do FC Porto foi obrigando, paulatinamente, o Gil Vicente a fazer o que não queria, ou seja, baixar o bloco. Os gilistas, que começaram a defender em 4x4x2, com Santi Garcia ao lado de Walace França na primeira luta às saídas de bola dos dragões, foram empurrados para trás, e viriam a ser obrigados a recorrer ao 3x5x2 e até ao 6x3x1 para garantir superioridade numérica perante um FC Porto também carregado de pólvora seca. Ia valendo aos campeões nacionais, que tiveram um Pablo Rosário alguns furos abaixo da sua bitola habitual, a intensidade de Froholdt e o inconformismo de Kiwior que se transformaram nos agitadores-mor do reino do dragão. 

O FC Porto foi colecionando pontapés de canto (quase todos batidos de forma a Lucão intervir com facilidade), e não só: sempre que o Gil tentava o contra-golpe, a equipa da Invicta recorria a 'faltinhas', que não era sancionadas disciplinarmente, mas quebravam as iniciativas e o ritmo do adversário. 

No segundo tempo, com Inbeom no lugar de Gabri Veiga, as coisas não se alteraram substancialmente, e foi já depois do discreto André Silva ter dado o lugar a Samu e Luís Pinto ter feito uma tripla alteração para refrescar a equipa (tudo aos 60 minutos) que as coisas mudaram: o FC Porto marcou, após um cruzamento de Froholdt com o corte de Buatu a sobrar para Borja Sainz, e este a não perdoar.

Os dragões, em vantagem, fizeram o que costumam fazer, meteram Varela no lugar do desinspirado Rosário, fecharam a direita com Santiago Gimenez, mandaram Pepê para a esquerda e, sem correr riscos, esperaram que os minutos se escoassem. Aos 80 minutos, Murilo ainda obrigou, da meia-distância, Diogo Costa a empenhar-se, mas dois minutos volvidos, a expulsão de Elimbi por derrube a Pepê, acabou com as dúvidas que ainda pudessem subsistir. O Gil Vicente, que acabou em 3x4x2, tentou a sua sorte mas os caminhos estavam fechados, e em vantagem numérica o FC Porto preferiu um pássaro na mão a dois a voar e nunca desmanchou a organização defensiva, procurando, isso sim, manter-se tão longe da baliza de Diogo Costa quanto possível. No jogo em que os dragões chegaram às nove vitórias nas primeiras nove jornadas, o futebol não foi de qualidade, mas acabou por ganhar quem mais fez por isso.  

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