A celebração com cravos de Pedroto a 11 de junho de 1978 — Foto: A BOLA (ASF)
A celebração com cravos de Pedroto a 11 de junho de 1978 — Foto: A BOLA (ASF)

11 de junho 1978: o ano da revolução moderna do FC Porto

Há um antes e um depois do título conquistado por José Maria Pedroto, ao cabo de 19 anos de jejum. Antes dessa época, os dragões tinham vencido apenas cinco campeonatos

É uma data e um ano que marcam a história do FC Porto. Em 1978, numa tarde de 11 de junho — porque, nesse tempo, jogos à noite eram verdadeiras raridades —, o FC Porto batia por 4-0 o SC Braga, no Estádio das Antas, e conquistava o título nacional, acabando com um jejum de 19 anos. Foi ali que os dragões deram, de facto, o salto para outro patamar e passaram a viver no topo, em Portugal e também na Europa, entrando num ciclo que, em menos de meio século, os levou a montar um palmarés extraordinário.

A primeira página de A BOLA do título portista

Talvez as gerações mais novas não tenham noção, mas até essa data os azuis e brancos tinham vencido apenas cinco campeonatos, somando 12 títulos no total, com Taças de Portugal (3) e o extinto Campeonato de Portugal (4). Com José Maria Pedroto no comando e Pinto da Costa como chefe do futebol, o título de 1977/78 cortou com esse filme antigo e inaugurou uma era de exigência diária, em tudo.

Entrevista com Pedroto. Bem ao seu estilo...

Nos bastidores, que A BOLA pôde visitar e descreveu pela pena de Vítor Santos, desenvolvia-se um trabalho de minúcia: arrumar a casa, profissionalizar o clube e criar uma maneira de competir que passou a ser a marca do FC Porto. «Ao longo de um ano, os responsáveis pelo Departamento de Futebol do clube viram-se limitados à difícil e terrivelmente lenta missão de colher dados estatísticos. Hoje, os mapas rigorosamente feitos em papéis milimétricos, afixados nas paredes do Departamento de Futebol, dão imagem da importância que tem para o FC Porto a planificação e organização do futebol no clube», escreveu.

Reportagem de Vítor Santos no FC Porto, onde desvendou vários segredos

A partir de 1978, o FC Porto ganha a maior fatia dos seus campeonatos, acumula Taças de Portugal e Supertaças como nunca se tinha visto e usa essa força para se afirmar lá fora, rompendo fronteiras. Um domínio que se acentuou quando Pinto da Costa chegou à presidência, a 17 de abril de 1981. Com a recente conquista da Liga, os dragões atingiram um total histórico de 87 troféus oficiais. Deste lote, 74 foram ganhos a partir dessa época histórica de 1977/78.

E as que mais brilham são, naturalmente, as taças internacionais: duas Ligas dos Campeões / Taças dos Clubes Campeões Europeus (1987, 2004), duas Ligas Europa / Taças UEFA (2003, 2011), uma Supertaça Europeia (1987) e duas Taças Intercontinentais / Mundiais de Clubes (1987, 2004). Quando se volta atrás e se olha para aquele 11 de junho, a ligação é quase óbvia. Deu-se ali o nascimento do FC Porto vitorioso e, por isso, é que as gerações mais antigas do clube gostam de transmitir aos que vieram depois que 1978 foi, na realidade, um ano de revolução: a revolução moderna do FC Porto.

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