«Um Pote cheio de golos desperdiçados», a crónica do Atalanta-Sporting
Leões festejam golo de Marcus Edwards em Bérgamo (Foto: Sportimage/IMAGO)

Liga Europa «Um Pote cheio de golos desperdiçados», a crónica do Atalanta-Sporting

NACIONAL30.11.202322:49

Segunda parte, mais à portuguesa, dos leões, merecia melhor sorte; eficácia foi problema; Atalanta terminou o jogo cínica, à italiana

Sem ser inédito, não é todos os dias que se vê um lance como aquele que Pedro Gonçalves protagonizou aos 66 minutos, quando fez a bola embater no dois postes da baliza da Atalanta, passando ao lado da melhor oportunidade dos leões para, pela primeira vez, vencerem em Itália. De uma jogada assim queixa-se ainda hoje o Barcelona, e já passaram 62 anos sobre a final de Berna, em que os postes da baliza de Costa Pereira não deixaram a bola rematada por Kubala entrar, e o Benfica conquistou a primeira Taça dos Campeões Europeus. 

Mas esse momento em que a sorte virou as costas aos leões não foi o único desperdício verde-e-branco da noite de Bérgamo. Pedro Pote Gonçalves falhou golos cantados aos 35 minutos e aos 71, que podiam ter  dado não só outro rumo ao resultado, mas sobretudo ter colocado a verdade do jogo plasmada no marcador. Depois de uma meia hora inicial que fez lembrar a primeira parte de Lisboa, com clara superioridade transalpina, o Sporting conseguiu equilibrar as operações ainda no primeiro tempo, e foi manifestamente superior no segundo, muito graças às alterações operadas por Rúben Amorim. 

À portuguesa é que é...

O treinador do Sporting, no lançamento desta partida, tinha dito que a sua equipa precisava de ser um pouco italiana, no sentido de colocar pragmatismo e algum cinismo na abordagem ao jogo. Porém, foi quando Amorim, na segunda parte, trocou a ala direita, chamando Geny Catamo e Marcus Edwards e deixando na cabina Esgaio e Trincão, que o Sporting se soltou para um futebol que merecia mais do que o empate. 

A Atalanta, que já não era capaz de pressionar tanto o meio-campo leonino - e foi por aí que Morita e Hjulmand passaram mal na primeira parte, porque não só não eram capazes de ter bola como não acertavam com a marcação a Koopmeiners, posicionado entre linhas - viveu apuros que se calhar não esperava, e que levaram o técnico Gasperini a começar por refrescar o ataque, aos 64 minutos (entradas de Muriel e Pasalic), para cinco minutos depois dar mais fôlego ao meio-campo, com Miranchuk, e a seguir aos 86, perder a vergonha e tratar de defender, com Holm e Bakker, o empate que lhe garantia a vitória no grupo.

E se Gasperini fez tudo isto, não foi certamente porque lhe apeteceu, mas sim porque a isso foi forçado. Aos 77 minutos, Amorim tirou Hjulmand, fez recuar Pedro Gonçalves e colocou Nuno Santos na esquerda, gritando bem alto que queria ganhar o jogo.

Bérgamo é em Itália

Num jogo de futebol há momentos para tudo, uns para ganhar, outros para não o conseguir. E a verdade é que o Sporting foi demasiado perdulário quando teve ocasiões para vencer a partida (a Atalanta teve apenas uma perdida, aos 49 minutos, enquanto que os leões, além da noite-não de Pedro Gonçalves ainda viram Gyokeres, aos 35 e Edwards, aos 47, muito perto de marcar), e deixou que a equipa de Bérgamo se reagrupasse e aplicasse a fórmula italiana que tem no ADN: primeiro assumindo cinco defesas, garantia de que a largura do ataque do Sporting, dada por Catamo/Edwards e Nuno Santos, era neutralizada; e depois, quando a frescura dos leões começou a faltar, defendendo cada vez mais à frente, sem pressas e com marcações apertadas, evitando as jogadas de um-contra-um que lhe tinham causado tanto dano. 

Os minutos finais, entre pontapés de canto e lançamentos laterais, foram disputados na metade portuguesa do campo, para alívio de Musso, que não esperaria os sobressaltos por que passou ao longo da noite.

Foi com uma sensação de saber a pouco que o Sporting se apurou para o playoff da Liga Europa, que disputará com um dos terceiros da Liga dos Campeões, criando-lhe uma sobrecarga adicional num calendário preenchido. Ficam, contudo, os leões com a certeza de que têm uma equipa que continua capaz de se bater em qualquer estádio. Ontem, falharam na coisa mais importante e difícil do jogo: marcar golos.