SC Braga-Rio Ave: arsenal(istas) do golo em duelo de opostos
Estádio Municipal de Braga, terreno do SC Braga

Antevisão SC Braga-Rio Ave: arsenal(istas) do golo em duelo de opostos

NACIONAL07.10.202308:30

Bracarenses têm o melhor ataque da Liga, vila-condenses... o pior; comandados de Artur Jorge tentam igualar série mais proveitosa da época, formação de Luís Freire quer dar a volta ao momento mais negativo

Um duelo de opostos. Em muitos aspetos. Assim pode classificar-se o encontro desta tarde, na Pedreira, entre SC Braga e Rio Ave, referente à 8.ª jornada da Liga.

E podemos começar pela classificação. Os bracarenses estão, como se esperava, na zona alta da tabela - 5.ª posição (13 pontos), a apenas dois do terceiro classificado, FC Porto -, os rioavistas encontram-se em numa área perigosa - 16.º e antepenúltimo lugar (5 pontos). Mas podemos (e devemos) também falar de outro aspeto extremamente relevante: os golos. Porque quem marca golos está, obviamente, sempre muito mais perto de ganhar jogos. E nesse caso concreto, os adeptos do SC Braga até correm sérios riscos de terem... problemas musculares. Tantas são as vezes que saltam das cadeiras para festejar. Afinal, a turma de Artur Jorge marcou (e muito) em todos os 13 jogos oficiais já realizados na presente temporada. Ao invés, os sócios e simpatizantes dos rioavistas têm tido uma época de menor fulgor no que toca a celebrar. 

SC Braga

No Minho está aberta uma verdadeira fábrica de produção ofensiva. Arsenal(istas) do golo, portanto. Somando as sete jornadas da Liga e os seis jogos na Liga dos Campeões (dois na pré-eliminatória, dois no 'play-off' e outros dois na fase de grupos), os bracarenses contabilizam a módica quantia de 32 golos marcados! Uma média de 2,46 por jogo. É obra! Sendo que, para estes registos, em muito contribuiu o facto de o SC Braga ter apontado três ou mais tentos em... oito partidas. São golos atrás de golos...

Jogadores bracarenses não se têm cansado de festejar na presente temporada. Foto: IMAGO

Mas há mais um dado que, por certo, funcionará a favor do psicológico dos jogadores para a partida de hoje: em caso de triunfo, é igualada a melhor fase da época (quatro vitórias consecutivas). Por outro lado, há também números que merecem reflexão e que podem ser aproveitados pelo... Rio Ave: os minhotos são a quarta pior defesa do campeonato - 13 golos sofridos, apenas à frente, neste particular, de Vizela (14), Estoril (18) e Chaves (19) - e sofreram em todas as sete jornadas - apenas mantiveram a sua baliza inviolada diante de Backa Topola (3-0, na 1.ª mão da pré-eliminatória da Champions, e 1-0 frente ao Panathinaikos, na segunda mão do 'play-off').

E quando as coisas correm bem, quando o coletivo está na 'mó de cima', há individualidades que, naturalmente, se destacam. Por uma ou por outra razão. Como é o caso de Matheus. Porque o guarda-redes brasileiro - os golos sofridos podem estar relacionados com o imenso caudal ofensivo da equipa... - é o único totalista do plantel, contabilizando 1170 minutos. Mas também podemos juntar a esta lista de preponderância nomes como os de Bruma e Álvaro Djaló (melhores marcadores da equipa, ambos com seis golos), ou de Ricardo Horta e Simon Banza (ambos com cinco tentos apontados). E outros mais poderiam constar nestas menções honrosas... 

Para complementar ainda mais o momento superlativo do SC Braga, é bom não esquecer que a turma bracarense vem de uma vitória épica na Liga dos Campeões. Na passada terça-feira, no reduto dos alemães do Union Berlim, os guerreiros do Minho estiveram a perder por 0-2 e viraram para 3-2. E é sabido como o fator psicológico tem influência no desempenho dos jogadores...

Sistema: 4x2x3x1

Onze provável: Matheus; Joe Mendes, Serdar, Niakaté e Borja; Al Musrati e Rodrigo Zalazar; Álvaro Djaló, Ricardo Horta e Bruma; Simon Banza

Lesionado: Víctor Gómez

Figura: Ricardo Horta. É certo que Bruma e Álvaro Djaló são, por esta altura, os 'matadores', mas também não é menos verdade que Ricardo Horta tem apenas menos um golo marcado. Mas os destaques não devem ser feitos somente pela assertividade na hora da concretização. E Horta é muito mais do que um marcador de golos. É o verdadeiro maestro da orquestra bracarense. Pelos seus pés passam quase todas as jogadas de ataque, da sua qualidade de passe surgem inúmeras situações de perigo junto das balizas contrárias e, além disso, é o capitão. O verdadeiro capitão. Tudo dito acerca da (tremenda) preponderância do internacional português no arsenal de Artur Jorge.

Artur Jorge (treinador do SC Braga): «Queremos que esta seja a nossa sequência, queremos ganhar. Fui uma vitória animadora e moralizadora que conseguimos na Alemanha, mas já vínhamos de duas vitórias e queremos dar sequência a este bom momento. A equipa está confiante, motivada e com um sentido de missão muito grande. O Rio Ave é uma das boas equipas deste campeonato. Temos de olhar para o Rio Ave com todo o respeito e atenção para sermos mais fortes e tentarmos ganhar. Estamos no 13.º jogo oficial e fizemos coisas muito boas, mas disse aos jogadores que temos potencial para fazer mais e melhor, para podermos evoluir e deixar de cometer erros que ainda cometemos».

Rio Ave

Em Vila do Conde reside uma equipa que está no extremo oposto. Porque o Rio Ave é o ataque menos concretizador do campeonato. Apenas cinco golos marcados em sete rondas. Ao que, em bom rigor, deve juntar-se os três tentos conseguidos nos dois jogos da Taça da Liga. Insuficiente, ainda assim. 

Vila-condenses tentam reagrupar para voltarem aos bons resultados. Foto: Facebook Rio Ave

Mas para que a retoma possa ser encetada, é necessário inverter o que tem sido... a lógica:  seis jogos consecutivos sem vencer (quatro derrotas e dois empates) - o último (e único...) triunfo na Liga aconteceu há quase dois meses, diante do Chaves (2-0, na 1.ª jornada) - e dois jogos seguidos sem marcar qualquer golo (desaires com Sporting, 0-4, e Famalicão, 0-2).

Sistema: 3x4x3

Onze provável: Jhonatan; Josué, Aderllan Santos e Patrick William; Costinha, Amine, João Graça e Sávio; Zé Manuel, Leonardo Ruiz e Fábio Ronaldo

Lesionados: Emmanuel Boateng, Joca e Guga

Castigado: Renato Pantalon

Figura: Costinha. O jovem lateral/ala direito, de apenas 23 anos, é um dos totalistas do plantel (estatuto que divide com Aderllan Santos) e além disso, é também o melhor marcador (três golos, somando Liga e Taça da Liga). Dono e senhor do seu flanco, transmite segurança a defender e aporta audácia ao setor ofensivo. É, claramente, um dos mais capacitados para ajudar o Rio Ave a dar a volta ao texto. Porque nos momentos adversos os clubes precisam de ter jogadores que aliem a qualidade à personalidade. É o caso de Costinha.

Costinha está na sétima temporada ao serviço dos rioavistas (juniores, sub-23, equipa B e formação principal). Foto: Helena Valente/ASF

Luís Freire (treinador do Rio Ave): «O SC Braga tem grande capacidade para marcar golos e nós temos de ser fortes defensivamente. Mas também têm algumas dificuldades em certos momentos do jogo, tal como dizem os golos sofridos, e nós mostrámos isso aos jogadores, trabalhámos esses momentos e vamos tentar aproveitá-los. Vamos ter pela frente um jogo extremamente desafiante, perante um SC Braga que vem de uma vitória na Liga dos Campeões, que tem um ataque fortíssimo, com capacidade de ferir e de fazer golos. Da nossa parte, temos de melhorar novamente a organização defensiva, porque já estivemos bem neste campeonato a esse nível. Temos demonstrado um grande caráter, uma capacidade de trabalho acima da média, uma tremenda resiliência e um espírito incrível. Somos um grupo que está habituado a superar-se, a fazer das dificuldades forças.»