A transformação de Amorim: o melhor de Ugarte e Palhinha em Hjulmand
Só os golos de Gyokeres tem retirado brilho às exibições de Hjulmand (Sérgio Miguel Santos/ASF)

A transformação de Amorim: o melhor de Ugarte e Palhinha em Hjulmand

FUTEBOL20.12.202321:40

Dinamarquês ganha notoriedade numa das posições mais bem frequentadas dos últimos anos; Menos impetuoso, mais audaz e com maior amplitude; Como Rúben Amorim o transformou num destruidor mais cerebral

Foi das posições mais bem frequentadas pelos leões nos últimos anos. Basta recordar as passagens recentes de Palhinha e Manuel Ugarte, dois nomes marcantes na posição 6 da era Rúben Amorim. Com heranças pesadas, marcadas pela responsabilidade de tentarem esquecer os seus antecessores. A transição de Palhinha para Ugarte foi, quase se poderá dizer, perfeita. Com um período de adaptação do uruguaio (que coabitou com o internacional português), que não precisou de muito tempo para assumir protagonismo com a saída de Palhinha. 

Hjulmand foi o sucessor de Ugarte que deixou os leões a troco de €60 milhões pagos pelo PSG (IMAGO)

A chegada de Hjulmand foi diferente. Não chegou a cruzar-se com Ugarte, que saiu de Alvalade pela porta grande: a troco de €60 milhões de euros para o gigante PSG. E com o peso de ser o segundo maior investimento de sempre nos leões, €18 milhões, num médio ainda sem grande mediatismo apesar das três épocas de bom nível no Lecce (Itália). Mesmo assim, não deixou de entrar no bloco de notas de alguns gigantes italianos, como o Milan, que chegou a avaliar uma potencial contratação. Que não chegou a acontecer. Porque o Sporting se chegou à frente, apresentando-lhe um projeto mais ambicioso, de maior protagonismo e evolução. O primeiro passo estava dado. Amorim garantiu uma das peças (a outra seria, claro está, Gyokeres) que seria determinante para conseguir aquilo que faltou na época transata. A desconfiança, sobretudo dos adeptos, em torno de Hjulmand, dado o investimento, parece ultrapassada e o brilho do médio de 24 anos só não é maior porque existe... Gyokeres. 

Palhinha foi um dos médios a deixar saudades, fechando o ciclo nos leões com 95 jogos e 7 golos (IMAGO)

Num trabalho minucioso de Rúben Amorim, o primeiro a detetar potencialidades no dinamarquês. Mas que obrigou a um trabalhou específico. Era só adequar as suas qualidades a uma equipa grande, de maior vocação ofensiva, que luta por títulos, algo inédito na carreira do nórdico. Com traços bem vincados de liderança, apesar dos atuais 24 anos - Hjulmand capitaneou o Lecce em várias ocasiões -, aliados a uma inteligência tática moldada em Itália, Rúben Amorim pretendeu, desde os primeiros dias, trabalhar outro tipo de apetências. E, olhando para aquilo que foram os últimos jogos, Hjulmand está um jogador diferente. Mais ligado ao jogo, com influência nas manobras ofensivas, a aparecer em zonas mais adiantadas para o remate de longa distância (nunca marcou em Itália mas nos leões já soma um golo e duas assistências), e com uma amplitude maior na zona central, menos posicional, à imagem do que faziam Palhinha e Ugarte. Sem perder o poder de recuperação, de enorme entrega - mas a utilizar a sua inteligência tática para evitar cortes de risco, de forma a evitar cartões amarelos. 

Hjulmand foi um dos poucos que esteve presente nos 23 jogos oficiais do Sporting esta época (IMAGO)

Uma espécie de destruidor mais cerebral, capaz de acrescentar a condução de Ugarte e o arrojo de Palhinha. Os números com o FC Porto são elucidativos: 4 desarmes, 22 passes precisos em 26, 6 duelos no solo ganhos, duas bolas longas precisas. Um dos melhores.

Um filho adotivo no Lecce

Um filho adotivo de lecce A aposta está ganha. E em Lecce, clube marcante na sua carreira, deixou saudades, como confidenciou a A BOLA Gaetano Mocciaro, jornalista italiano do Tuttosport. «Deixou excelentes lembranças na Itália, mas sobretudo em Lecce, é quase considerado um filho adotivo da cidade. Fez alguns campeonatos extraordinários, entre os jogadores que mais se destacaram pelas bolas recuperadas e pelos desarmes vencidos. E muita inteligência em campo, visão de jogo. Foi um grande negócio para o Sporting porque o Milan via Hjulmand como o substituto perfeito para Bennacer. Lecce é famosa na Itália por descobrir talentos por pouco dinheiro e vendê-los por muito: esta é a sua filosofia e Hjulmand foi exemplo recente», disse.

Foi um grande negócio para o Sporting porque o Milan via Hjulmand como o substituto perfeito para Bennacer. Lecce é famosa na Itália por descobrir talentos por pouco dinheiro e vendê-los por muito: esta é a sua filosofia e Hjulmand foi exemplo recente

Morten Hjulmand foi um dos capitães do Lecce nas três épocas que esteve em Itália (IMAGO)

Sem concorrência no miolo

Apesar desta notoriedade alcançada em poucos meses, Rúben Amorim mantém um problema. Falamos da ausência de uma alternativa ao dinamarquês, que marcou presença nos 23 jogos oficiais do leão esta época! A deslocação a Portimão, na próxima jornada (dia 30), será a primeira vez em que Amorim não contará com a peça que tem dado grande parte do equilíbrio da equipa. A sua condição física tem sido, por isso, gerida com pinças, pois Hjulmand só somou 90 minutos, um jogo completo, em seis ocasiões. E sem uma alternativa firme. O recuo de Morita tem sido a solução mais utilizada no decorrer dos jogos, enquanto Dário Essugo, de apenas 18 anos, que seria, à partida, o substituto natural, continua sem espaço de afirmação em Alvalade e em cima da mesa está um potencial empréstimo na reabertura de mercado em janeiro. 

Porém, tal como A BOLA adiantou, os leões encontram-se no mercado em busca de mais uma alternativa para o centro do terreno. Mais uma solução de forma, sobretudo, a minimizar o desgaste de Morita e Hjulmand, duas peças fundamentais na estrutura da equipa. Sendo que, convém lembrar, o nipónico estará ausente da competição em janeiro devido à participação na Taça Asiática.

€9 milhões de valorização... em seis meses!

Chegou aos leões em agosto com rótulo de grande investimento: 18 milhões de euros. Um número avultado - naquela que foi a segunda contratação mais cara da história dos leões -, mas rapidamente começou a justificar a insistência de Rúben Amorim na sua contratação. De resto, desde que aterrou em Alvalade que o percurso tem sido claramente ascendente. Além da notoriedade atingida na estrutura base de Rúben Amorim, Morten Hjulmand também conquistou estatuto junto da seleção dinamarquesa, que tem sido um espaço onde também tem evoluído nos últimos meses. De resto, olhando para os números, a aposta dos leões está mais que ganha nesta altura. Até porque, seguindo o Transfermarkt, o valor de mercado do médio, de 24 anos, aquando da sua transferência do Lecce para o Sporting era de 15 milhões de euros. Os leões pagaram mais, é certo, mas em seis meses o seu valor subiu para os €24 milhões. Mais €9 milhões, portanto...