«Vitinha sempre foi especial e vê-lo no pódio da Bola de Ouro é impressionante»
Jorginho, avançado de 26 anos, jogou na formação do FC Porto com nomes como Vitinha, Diogo Costa e João Félix. Em conversa com A BOLA, o jogador do Maia Lidador, da AF Porto - Liga Pro, assumiu que os três internacionais portugueses já se destacavam.
«Já se percebia claramente que eram jogadores diferentes. O Diogo Costa sempre teve uma maturidade fora do normal para a idade, muita personalidade e qualidade técnica com os pés. O João Félix destacava-se pela inteligência no jogo, pela forma como resolvia tudo com simplicidade. O Vitinha, então, sempre foi especial: visão de jogo, critério, intensidade competitiva. Agora, vê-lo num pódio da Bola de Ouro e apontado como um dos melhores médios do Mundo é impressionante, mas para quem jogou com ele não é totalmente surpreendente. Talvez a dimensão seja maior do que muitos imaginavam, mas o talento estava lá todo», confessou o avançado que, em 2017/2018, integrou a equipa dos dragões, orientada por João Brandão, atual treinador dos bês, que chegou às meias-finais da Youth League.
«Foi uma equipa muito forte, com muita qualidade individual e coletiva. O mister João Brandão teve um papel importante na organização e no crescimento do grupo. Chegar às meias-finais da Youth League foi um marco grande para todos nós. No ano seguinte, o FC Porto acaba por vencer a competição e, olhando para trás, claro que fico com aquele sentimento de que podia ter tido mais oportunidades para mostrar o meu valor naquele contexto», acrescentou, explicando a decisão para a mudança para Cinfães.
«Foi uma decisão para continuar a jogar e a crescer, numa fase em que precisava de minutos e de competir a sério. Se merecia mais oportunidades? Talvez, mas o futebol é mesmo assim nem sempre as coisas são como nós imaginamos ou queremos», afirmou.
«A chegada a Cinfães foi um impacto grande. Passar de um contexto de formação, onde tudo é mais protegido, para o Campeonato de Portugal obriga a crescer rápido. É um futebol mais duro, mais competitivo, com jogadores experientes e jogos muito exigentes fisicamente. No início sente-se a diferença, mas foi uma etapa fundamental para ganhar maturidade, perceber melhor o jogo sénior», apontou.
No Maia Lidador, Jorginho encontrou um bom contexto e leva sete golos e cinco assistências em 16 jogos.
«Desde o primeiro dia senti confiança da equipa técnica e dos colegas, e isso faz muita diferença. Os números acabam por refletir isso, mas mais importante do que golos e assistências é sentir que sou útil à equipa e que consigo ser decisivo, como aconteceu no último jogo. Tenho liberdade para explorar as minhas características e isso ajuda muito a mostrar o meu futebol. A nível coletivo, o grande objetivo é ajudar o Maia Lidador a cumprir os seus objetivos na época que passa pela subida de divisão. A nível pessoal, quero manter a regularidade, continuar a ser decisivo, evoluir em aspetos do meu jogo e terminar a época com números ainda melhores, mas sobretudo com a sensação de ter sido consistente», disse.
Aos 26 anos, Jorginho ainda acredita numa chegada à Primeira Liga.
«Sei que o caminho não é fácil, mas acredito muito no trabalho diário e na qualidade que eu tenho. Quero dar esse passo, mas acima de tudo mostrar que estou preparado quando surgir uma oportunidade e provar que tenho qualidade para jogar nos patamares mais altos», completou.