Violência no desporto diminuiu quase 20% na última época
A Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) preparou, em conjunto com o Ponto Nacional de Informações sobre Desporto (PNID), sediado na Polícia de Segurança Pública (PSP), a sexta edição do Relatório de Análise da Violência associada ao Desporto (RAViD), referente à época desportiva 2024/2025.
O documento, divulgado esta sexta-feira, evidencia, desde logo, um dado que salta à vista: uma redução do número total de incidentes registados em espetáculos desportivos na época 2024/2025 — 7 140 incidentes, menos 1 739 do que na época 2023/2024. Trata-se de uma diminuição de quase 20% (19,6%).
Esta quebra marca uma interrupção da tendência de crescimento verificada nos anos anteriores. Destaca-se, pelo segundo ano consecutivo, «a diminuição dos episódios de violência, nomeadamente agressões, incitamento à violência, racismo, xenofobia e outras formas de intolerância, refletindo o impacto positivo das estratégias preventivas e sancionatórias adotadas.»
A posse e utilização de artefactos pirotécnicos continua a constituir «a principal tipologia de incidentes», mas registou-se, igualmente, uma redução desta prática (22,7%), continuando, contudo, a representar 59,1% do total de incidentes. «Esta evolução confirma a tendência de mitigação gradual deste fenómeno, embora subsistam desafios relevantes associados ao fácil acesso a materiais pirotécnicos, preocupação que tem sido reiteradamente assinalada em reuniões da UEFA e do Conselho da Europa, no quadro de uma problemática transversal ao espaço europeu», pode ler-se no documento.
O relatório sublinha ainda «o reforço da ação fiscalizadora e sancionatória, com a entrada em vigor de 523 medidas de interdição de acesso a recintos desportivos» e um «aumento da capacidade de deteção do respetivo incumprimento», sendo que foram identificados ou detidos 26 adeptos por «violação de medidas de interdição, confirmando o empenho conjunto das forças de segurança, da APCVD e das restantes entidades envolvidas na promoção de espetáculos desportivos mais seguros, protegidos e inclusivos.»
Relativamente à distribuição por modalidades, a maioria dos incidentes foi registada, sem surpreas, no futebol, com 6686 ocorrências, seguido do futsal, com 340 incidentes, e das restantes modalidades, que totalizaram 114 casos, destacando-se o hóquei em patins, com 61.
«A diminuição global do número de incidentes constitui um indicador positivo da eficácia das medidas de prevenção, planeamento e intervenção adotadas pelas forças de segurança e demais entidades envolvidas na organização dos espetáculos desportivos. Em paralelo, registou-se um reforço da capacidade de intervenção policial, refletido numa atuação proativa e direcionada, que se traduziu no aumento do número de detenções, autos de notícia por contraordenação, adeptos expulsos e adeptos impedidos de assistir a eventos desportivos», sublinha-se.
Rodrigo Cavaleiro, presidente da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD), destaca a «redução significativa do total de ocorrências», enquanto Luís Carrilho, Diretor Nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), frisa que «o combate à violência, ao racismo, à xenofobia e a outras formas de intolerância no contexto desportivo, bem como a defesa dos valores e da ética no desporto, mantém-se como uma prioridade estratégica na PSP», que continuará a «privilegiar uma resposta coordenada e integrada – em articulação com a APCVD, autoridades judiciárias, forças de segurança (nacionais e estrangeiras) e os restantes parceiros públicos e privados –, com o objetivo de consolidar o desporto como um espaço seguro, protegido e inclusivo para todos os intervenientes.»
Quanto à distribuição de adeptos sujeitos a medidas de interdição por clube (tribunais + APCVD), verifica-se, igualmente sem surpresas, que os três grandes são os clubes mais representados, com o Sporting a liderar o ranking.