Oskar Pietuszewski começa a encantar as bancadas do Dragão - Foto: Rogério Ferreira/KAPTA+
Oskar Pietuszewski começa a encantar as bancadas do Dragão - Foto: Rogério Ferreira/KAPTA+

A ousadia que já seduziu o FC Porto: «Quando estiver com ele, vai pagar o jantar...»

Oskar Pietuszewski repetiu titularidade e fez primeira assistência de azul e branco frente ao Rio Ave. Tomás Silva, ex-colega do polaco, corrobora: «Sempre que puder, vai para cima sem medo»

Personalidade acima da média e, mais do que isso, descaramento com a bola nos pés. Os bons sinais que Oskar Pietuszewski já havia deixado na deslocação do FC Porto à Choupana, na semana passada, convenceram Francesco Farioli a manter a aposta frente ao Rio Ave. O camisola 77 dos dragões voltou a ser titular no domingo, na receção aos vila-condenses, e o resultado ficou à vista: assistência para o único golo do encontro, anotado por Victor Froholdt, e que garantiu três importantes pontos à equipa azul e branca na luta pelo título.

A entrada do reforço de inverno nas opções iniciais devolveu aos portistas algo que vinha a faltar nos corredores do ataque: a capacidade de encarar os opositores no um para um. Foi assim, aliás, que nasceu o lance do 1-0 frente ao Rio Ave: Gabri Veiga solicitou Pietuszewski pela canhota e o ex-Jagiellonia passou com relativa facilidade pela marcação de Jakub Brabec. Por outro lado, seria um exagero dizer que tudo correu às mil maravilhas para o jovem extremo, de apenas 17 anos. Nem todas as iniciativas individuais saíram bem a Oskar, que terminou a partida com dois dribles bem sucedidos em sete tentativas. Em simultâneo, é um dado indicador da ousadia que distingue o jogador — foi o que mais tentou o um para um no encontro em questão.

A sempre exigente massa adepta do FC Porto já percebeu isso mesmo e, anteontem, não escondeu o entusiasmo a cada arrancada do prodígio polaco. O atrevimento, de resto, só surpreende quem não conhecia o extremo. «Em janeiro, avisei alguns colegas e amigos que o Oskar ia surpreender no FC Porto... Agora, enviaram-me mensagens e deram-me razão», conta, em conversa com A BOLA, Tomás Silva, ex-companheiro de Pietuszewski no Jagiellonia. «Na altura, fui bem claro: disse que quando o FC Porto precisasse de alguém para abrir os jogos, ele era o homem certo. Por isso, não me surpreende. O Oskar não tem medo de assumir e ir para cima. Quer a bola e, sempre que puder, vai para cima», descreve o médio português, agora ao serviço do Dobrudja Dobrich, da Bulgária.

Se não o conhecesse e me dissessem que só tem 17 anos, não acreditava. Essa maturidade é boa, mas, ao mesmo tempo, as pessoas não se podem esquecer de que o Oskar só tem, de facto, 17 anos

«Temos uma boa relação. Quando soube que ele já estava em Portugal, desejei-lhe boa sorte e mostrei-me disponível para ajudar com tudo. E, claro, vai ter de pagar o jantar quando estiver com ele aí. Falo muito bem dele», atira Tomás, em jeito de brincadeira. Mais a sério, deixa uma ressalva: «Se não o conhecesse e me dissessem que tem 17 anos, não acreditava. Essa maturidade é boa, mas, ao mesmo tempo, as pessoas não se podem esquecer de que o Oskar só tem, de facto, 17 anos. Chegou agora a um grande clube e a um país novo. É importante que haja paciência.»

A brincadeira entre Tomás Silva e Oskar Pietuszewski num treino do Jagiellonia

Evoluído (também) no português

Pietuszewski falou ao Porto Canal após a vitória sobre o Rio Ave e deu uns toques na língua portuguesa. «Muito obrigado aos adeptos. Ajudaram muito com o apoio deles», disse. A intervenção foi curta, mais pelo nervosismo do que por desconhecimento. A BOLA sabe que Oskar frequenta aulas há algum tempo e, estando mais à vontade, já é capaz de ir além de palavras soltas e frases simples. Mais um sinal da tal maturidade que tantas vezes lhe atribuem...