Vice-presidente do Sporting: «A maioria dos clubes não tem lucros consistentes»
André Bernardo, vice-presidente e administrador da SAD do Sporting, esteve esta sexta-feira presente no Portugal Football Summit para participar numa conversa sobre os direitos comerciais. O diretor de estratégia e operações do clube leonino destacou a capacidade de gerar rendimentos dos verdes e brancos e explicou o processo que esteve na origem da nova identidade do emblema em 2026/27.
«Nos últimos cinco anos, tivemos um resultado líquido positivo de 117 milhões de euros. Isso fala por si só», começou por dizer. «Estamos a ter resultados melhores do que muito dos nossos pares. Estamos numa posição muito relevante, porque a maioria dos clubes não tem lucros consistentes, ainda para mais durante cinco anos seguidos e com este volume. Estamos a tentar perceber como podemos, através dos nossos bens, da nossa marca e da nossa herança, diversificar as nossas fontes de rendimento e fazer crescer a marca para lá do desporto. Mas se olharmos para a perspetiva dos lucros da indústria, estamos a ir mais longe e encontrámos um processo que, só por si, já tem valor», prosseguiu.
André Bernardo também abordou a mudança de imagem do Sporting, que ocorreu, por exemplo, com a mudança no símbolo esta temporada. «Não aconselho ninguém a fazer um rebranding a não ser que tenham uma razão muito, muito boa para isso, especialmente se forem um clube desportivo Há uma ligação ao símbolo e ao clube que é diferente de qualquer outro. Às vezes, está tatuado no corpo», afirmou, antes de explicar o processo que levou à mudança: «Fizemos muitos questionários e a investigação permitiu ver uma lacuna naquilo que os adeptos sentiam que a marca refletia do clube. Isso deu-nos informação e coragem para perceber que esse era o caminho certo. A marca tem de refletir o que és.»
O processo de rebranding durou, de acordo com o dirigente leonino, seis anos. «Fizemos um caminho em que evoluímos a partir da essência. Construímos sobre o nosso legado, que era o que os nossos adeptos queriam. É uma questão de identidade, que é o que te define. E sabemos que, num clube de futebol, as pessoas têm esta paixão. Tens de perceber o teu próprio clube, a tua realidade e as tuas mais-valias» analisou.
«O que tínhamos era uma grande relação entre o que o Sporting significa e os princípios que defende e este caminho relacionado com o desenvolvimento humano. Temos uma frase muito conhecida do Aurélio Pereira: 'Formamos primeiro os humanos e depois os atletas'. É a frase que acreditamos que melhor nos define e foi isso que os adeptos nos foram dizendo. Não queremos mudar só porque é moderno. Fizemos o contrário e foi isso que dissemos às agências», completou o diretor de operações do Sporting, antes de falar sobre os resultados financeiros: «Fizemos, no primeiro mês depois do rebranding, mais do que num ano inteiro, oito anos antes.»