Vermelho, esperança e herói improvável: 20 anos depois, Arsenal volta a sonhar

'Gunners' procuram primeira Champions da história do clube 20 anos depois de um desfecho cruel em Paris. Cinco minutos e um herói improvável mudaram o destino de uma das melhores equipas da história do clube

O Arsenal vai disputar a final da UEFA Champions League pela segunda vez na história do clube. A vitória diante do Atlético Madrid (1-0) no Emirates catapultaram os gunners para novo duelo contra a história... 20 anos depois da desilusão de Paris.

O Arsenal qualificou-se pela primeira vez na história do clube para a UEFA Champions League a 25 de abril de 2006 após um nulo na casa da surpresa Villarreal. Os gunners, que tinham vencido por 1-0 em casa na primeira mão, rubricaram um percurso a eliminar dourado, marcado pelas eliminações de Real Madrid e Juventus.

O duelo decisivo teve lugar a 17 de maio de 2006, no Stade de France em Paris. O adversário estava a escrever uma das primeiras páginas douradas numa história singular no século XXI: o Barcelona.

Frank Rijkaard orientava um conjunto pontuado pela segurança de Puyol, pela magia de Ronaldinho e Deco e pela eficácia de Samuel Eto'o. Uma jovem promessa de nome Lionel Messi assinou 8 golos e três assistências em 25 jogos disputados em 2005/06, mas estava fora das contas desde março devido a lesão.

Onze do Barcelona

Valdés; Edmílson, Oleguer, Rafa Márquez, Puyol e Van Bronckhorst; Van Bommel, Ronaldinho, Deco e Giuly; Eto´o

O adversário impunha respeito, mas os gunners contavam com inúmeras unidades de classe mundial. Sol Campbell, Ashley Cole, Robert Pirès ou Thierry Henry compunham a base de uma equipa que se sagrara campeã sem derrotas, apenas dois anos antes. A juventude de Cesc Fàbregas, então com 19 anos, trazia irreverência a um conjunto orientado pelo monsieur Arsène Wenger.

Onze do Arsenal

Lehmann; Eboué, Sol Campbell, Kolo Touré e Ashley Cole; Gilberto Silva, Hleb e Fàbregas; Pirès, Ljungberg e Thierry Henry

Os ingleses começaram a partida em Paris a todo o gás, mas foram traídos no setor mais recuado. Ronaldinho isolou Eto´o com uma abertura fantástica, o camaronês procurou contornar Lehmann e o guarda-redes alemão só conseguiu derrubá-lo. O cartão vermelho precoce precipitou a saída de Pirès, a entrada de Manuel Almunia e um jogo de sacrifício dos londrinos, que vestiam de amarelo.

O coração e a disciplina, ainda assim, guiaram a equipa até ao golo inaugural. Thierry Henry marcou um pontapé livre com uma elegância singular e Sol Campbell subiu até às portas do olimpo para marcar o primeiro da partida, aos 37'.

O intervalo precipitou uma segunda parte de sentido único e de muito sacrifício londrino. Os gunners sacudiram a pressão inicial, voltaram à carga ofensiva, mas Valdés segurou a vantagem mínima. Rijkaard refrescou a equipa à procura do ouro que faltava e foi recompensado, a menos de 15 minutos do final.

O Barcelona acelarou o ritmo com um passe vertical e Henrik Larsson, que entrara aos 61', com um toque sublime, assistiu Eto´o para o golo do empate, aos 76'. O golo galvanizou os culés, que voltaram a ser felizes, cinco minutos depois.

Larsson voltou a ser abre-latas, ao atrair a marcação para fora da grande área e descobrir um herói improvável junto ao primeiro poste. O lateral direito Juliano Belletti rematou com fé, Almunia foi surpreendido e estava feita a reviravolta. O único golo do brasileiro em 102 jogos disputados pelo Barcelona valeu uma Champions.

O golo de Belletti - Foto: IMAGO

A emoção de Belletti foi exacerbada pela chuva que caiu nos minutos finais em Paris. O resultado final não sofreu alterações e o Arsenal ficou às portas do céu. As hipóteses para replicar a caminhada multiplicaram-se nos últimos 20 anos, mas os astros alinharam-se apenas em 2026.

Bayer Leverkusen, Sporting e Atlético de Madrid depois, o Arsenal está de regresso à final da Champions.

Registo negativo em finais

O histórico do Arsenal em finais europeias está longe de ser positivo. Os gunners venceram dois dos oito duelos decisivos que disputaram: em 1970, a Taça das Cidades com Feira, contra o Anderlecht e em 1994, e a Taça das Taças, contra o Parma.

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