Velhos são os trapos: Mabululu derruba campeão de África

Aos 34 anos, o capitão dos Palancas Negras trocou o Norte de África pelo Wiliete a custo zero e, três meses depois, assinou em Pretória o golo que afastou o campeão africano e levou o clube de Benguela, pela primeira vez, à fase de grupos da Liga dos Campeões

Quando Mabululu aceitou, em Julho, regressar ao campeonato angolano para vestir a camisola do Wiliete, a mudança tinha tudo para ser lida como um passo atrás na carreira de um avançado de 34 anos que acabara de cumprir 14 jogos sem marcar no Ittihad de Alexandria. Na noite de sexta-feira, no Loftus Versfeld, em Pretória, o capitão da seleção angolana desmentiu essa leitura com o golo do empate aos 49 minutos, que, somado ao nulo do Lubango, eliminou o Mamelodi Sundowns, campeão africano em título, pela regra dos golos fora.

O lance nasceu de um atraso mal medido de Cassius Mailula, que Mabululu interceptou antes de bater Ronwen Williams, dando razão à imprensa sul-africana, que antes do jogo lembrara que a alcunha do avançado rima com ibululu, o nome em isiZulu da víbora-sopradora, uma serpente conhecida pela agressividade.

Longe de ser obra do acaso, o golo de Pretória confirma o arranque de época de um avançado que, em dez jogos oficiais pelo Wiliete, soma oito golos e duas assistências: quatro golos em quatro jogos na Liga dos Campeões, três deles nas duas mãos frente ao Foresters, das Seicheles, e outros quatro em cinco jogos no Girabola, onde junta ainda dois bis e as duas assistências. Só passou em branco no único jogo da Supertaça, perdida para o Petro de Luanda, e pela seleção juntou um golo em dois jogos de qualificação para a CAN, o que eleva a conta pessoal da época a nove golos em 12 jogos.

Gerido pela equipa técnica com uma média de cerca de 60 minutos por jogo no campeonato, Mabululu é o segundo melhor marcador do Girabola e uma das peças centrais de um Wiliete que lidera a prova sem derrotas e com o melhor ataque, depois de duas épocas seguidas a terminar no segundo lugar.

Nascido em Luanda a 1 de Junho de 1992, Agostinho Cristóvão Paciência, irmão do também futebolista Jó Paciência, começou como sénior no Petro de Luanda e passou por Interclube, ASA e Domant antes de se afirmar no 1.º de Agosto, onde marcou 47 golos em três épocas. Seguiu-se o Ittihad de Alexandria, pelo qual foi o melhor marcador do campeonato egípcio em 2022/23, com 16 golos, e o Al Ahli de Trípoli, onde marcou 19 golos em 26 jogos em 2024/25, antes de um regresso a Alexandria, em Janeiro, que terminou em branco e com o fim do contrato, a 30 de Junho.

Livre, assinou pelo Wiliete a 19 de Julho e levou para um balneário pouco habituado às grandes noites africanas a experiência de quem soma 49 internacionalizações e 16 golos pelos Palancas Negras. Essa experiência pesou numa eliminatória em que o clube teve de receber o Sundowns no Estádio Nacional da Tundavala, no Lubango, a cerca de 355 quilómetros de casa, porque o recinto de Benguela não cumpre os requisitos da CAF.

Antes da viagem para a África do Sul, Beto Bianchi prometera aos adeptos que a equipa ia "fazer o possível para voltar com a qualificação", e foi Mabululu, aos 34 anos, quem transformou essa promessa numa presença inédita na fase de grupos.

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