Vasco Vilaça: «Dei mais um grande espetáculo e ter o Ricardo ao meu lado…»
«Ainda me custa a acreditar que sou campeão do mundo. Durante a prova procurei focar-me em cada momento e não pensar em mais nada. Dei mais um grande espetáculo com o Matt [Hauser]. E ter o Ricardo [Batista] a fazer a corrida toda ao meu lado… fiquei muito feliz por. É um grande companheiro, cresci com ele. Não podia estar mais feliz», disse, pouco depois do fim da prova.
No pódio, mal recebeu o troféu de campeão do Mundo, pousou-o para abraçar o amigo, que não escondia a emoção ao assistir no melhor lugar possível à consagração de Vilaça: ao lado dele no pódio.
«Dá sempre uma confiança extra ter outros portugueses à minha volta nos quais posso confiar. Estou muito contente pelo Ricardo, que momento incrível, não? Portugal nunca teve um pódio masculino, o ano passado fiquei em terceiro e este ano temos dois homens, o campeão do Mundo e o terceiro», acrescentou, mais tarde, em declarações à Lusa.
O novo campeão do mundo lamentou a forma como o vencedor da prova, e anterior campeão do mundo, fez o sprint final, fechando o português contra as barreiras laterais.
«Taticamente, a prova correu muito bem. Guardei-me para um grande sprint final. Claro que notámos ali que o Matthew fez um bocadinho de jogo sujo, mandou-se para cima de mim, mas no fim, no fim, o campeonato estava a ganho», orgulha-se.
O atleta de 26 anos assumiu ter competido «sob uma pressão como nunca tinha sentido», mas que o balanço final é muito melhor do que imaginaria no início da época.
«Este ano sonhava ganhar uma etapa do campeonato do mundo. Não só ganhei uma, como foram duas. E sou campeão do mundo! Há muito trabalho por trás disto. A minha equipa é incrível. Agradeço a quem me ajudou a chegar aqui, quem tornou possível aguentar esta pressão».
«Neste momento ainda não tive tempo para processar as emoções. Só tive para estar abraçado à minha família. Quase que a lágrima veio…», assumiu, a fechar.
Bronze «foi um alívio» para Ricardo Batista
Só mesmo o título mundial de Vasco Vilaça pode ofuscar o terceiro lugar alcançado por Ricardo Batista, que coloca o triatlo português no topo do Mundo novamente, depois de por lá ter andado graças a Vanessa Fernandes na primeira década do século.
«Acabamos de sair daqui com dois pódios no campeonato do mundo, um primeiro e um terceiro lugares. Acho que não acontece em muitas modalidades em Portugal e acho que é uma coisa que temos de dar valor», declarou, citado pela Lusa, antes de falar do sabor do bronze que acabara de conquistar.
«Foi um alívio, sinceramente. Foi todo o trabalho que fomos fazendo não só este ano, mas agora fomos ‘checando’ todas as caixinhas até chegar a este pódio no campeonato do mundo. Nós todos trabalhamos imenso porque chegar a este nível é bastante difícil», assumiu.
Questionado sobre que tipo de reflexo estes resultados podem vir a ter nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, o mais velho dos irmãos Batista deixou espaço para… sonhar.
«Acho que somos dos melhores países neste momento na modalidade, mas é muito difícil estar a fazer previsões para daqui a dois anos. Podemos sonhar, porque sonhar ainda não se paga. Acho que talvez possamos sonhar com medalhas», rematou.