Atletas já estão a chegar a Itália para os Jogos Paralímpicos. IMAGO
Atletas já estão a chegar a Itália para os Jogos Paralímpicos. IMAGO

Ameaça de boicote em massa à cerimónia de abertura dos Jogos Paralímpicos

Portugal estará presente pela primeira vez no evento, com Diogo Carmona, e neste momento o Comité Paralímpico nacional pondera estar presente e juntar-se à França, que garantiu que vai assistir ao evento

A decisão do Comité Paralímpico Internacional (CPI) de permitir a participação de atletas russos e bielorrussos sob as suas bandeiras nacionais nos Jogos de Inverno de 2026, em Milão-Cortina, está a gerar uma onda de protestos. Várias nações já anunciaram que irão boicotar a cerimónia de abertura, agendada para sexta-feira na Arena de Verona.

Portugal terá pela primeira vez um atleta nos Jogos Paralímpicos de Inverno, Diogo Carmona, 28 anos, que vai competir no snowboard. O ex-ator perdeu uma perna depois de um acidente numa linha de comboio e fez história para o desporto adaptado no país.

Até ao momento, o presidente do Comité Paralímpico de Portugal, José Manuel Lourenço, revelou que, independentemente das questões políticas, pondera assistir à cerimónia porque é um momento único para o desporto português e o atleta.

A polémica estalou quando o CPI autorizou dez atletas da Rússia e da Bielorrússia a competirem com os seus símbolos nacionais, uma medida que contrasta com a abordagem adotada nos Jogos Olímpicos. Esta será a primeira vez que tal acontece desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, com o apoio da Bielorrússia. A decisão, tomada numa altura em que a guerra entra no seu quinto ano, provocou uma forte reação por parte dos aliados de Kiev.

A Ucrânia foi a primeira a reagir, anunciando de imediato o boicote à cerimónia de abertura. «A equipa paralímpica e o Comité Paralímpico Nacional boicotam a cerimónia de abertura dos 14.ºs Jogos Paralímpicos de Inverno e exigem que a bandeira ucraniana não seja utilizada» no evento, declarou o comité ucraniano.

Seguiram-se outras nações. A Chéquia afirmou que não participará «de forma alguma na cerimónia de abertura» e que não terá «porta-bandeiras em Cortina». A lista de países que se juntaram ao boicote tem vindo a crescer, incluindo agora Finlândia, Polónia, Estónia, Letónia e Países Baixos.

Segundo a agência Reuters, também o Canadá e a Grã-Bretanha irão faltar à cerimónia, embora justifiquem a ausência com problemas de calendário, uma vez que as provas de esqui alpino se realizam no dia seguinte em Cortina, a cerca de 250 quilómetros de Verona. Ainda assim, as suas bandeiras serão transportadas por voluntários.

O governo italiano também manifestou o seu descontentamento. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, e o ministro do Desporto, Andrea Abodi, instaram o CPI a «reconsiderar a sua decisão», expressando «plena solidariedade» e «apoio incondicional» à Ucrânia.

Em contrapartida, a França confirmou a sua presença. Marie-Amélie Le Fur, presidente do Comité Paralímpico e Desportivo Francês (CPSF), garantiu que a sua delegação não irá boicotar o evento. «Até à data, e esta será a posição firme do CPSF, não boicotaremos a cerimónia de abertura, tanto por parte dos representantes do comité como dos atletas», afirmou.

A dirigente francesa explicou que, apesar de não concordar com a medida, o seu comité optou por respeitá-la por ter sido «tomada por via democrática» numa assembleia geral do CPI no final de setembro.

Por sua vez, o presidente do CPI, Andrew Parsons, manifestou-se «profundamente dececionado» com os boicotes, embora aceite as convicções das nações contestatárias. «Espero que a cerimónia não seja politizada», declarou, acrescentando que existem «diferentes meios e espaços para transmitir mensagens e expressar livremente as suas opiniões».