Trubin, o «Courtois ucraniano» que fugiu da guerra e foi herói do Benfica
Trubin, guarda-redes do Benfica, tornou-se o herói da última jornada da fase de liga da UEFA Champions League, quando no último lance do jogo com o Real Madrid cabeceou para o 4-2, garantido à equipa de José Mourinho o acesso ao play-off. Um momento de glória que enriquece a história de vida difícil do gigante do Donbass.
Passou mais de uma década desde que o guarda-redes ucraniano experenciou um dos momentos mais marcantes. Foi em 2014, quando o conflito no Donbass obrigou à saída da academia do Shakhtar Donetsk. Trubin tinha apenas 13 anos e vivia com a família a poucos minutos do centro de treinos, pelo que, de um dia para o outro, se viu forçado a fazer as malas e partir.
O momento foi recordado pelo jogador numa entrevista ao Goal em 2022: «Disseram-nos que, se quiséssemos ficar na academia, teríamos de mudar-nos para Kiev. Foi muito difícil para mim e para os meus pais, que por vezes não me viam durante seis meses. No entanto, sabiam que eu amava futebol e não me impediram de ir. Mentalmente, amadureci um pouco mais rápido depois destas experiências.»
No Shakhtar, foi apelidado pelos jogadores brasileiros de «Coutois ucraniano» — «Deram-me essa alcunha porque tenho 1,99 metros. Não é o meu modelo, até porque cresci a admirar Casillas, Petr Cech e Van der Sar.»
A carreira passaria para segundo plano após nova tragédia, nomeadamente a invasão russa à Ucrânia: «Não acreditávamos que pudesse acontecer. Ninguém esperava que a Rússia fosse tão bárbara e cruel. É um verdadeiro pesadelo. Não consigo entender como são capazes disso.»
«Até 2014, considerávamos a Rússia nossa vizinha. Não havia hostilidade entre as pessoas. Era impensável que uma guerra pudesse começar. E agora? Os russos destruíram tantas cidades bonitas, mataram tantos civis... É uma catástrofe. A Rússia, como país, já não existe para mim. Levará muito tempo para as feridas cicatrizarem», afirmou na mesma entrevista.
Foi feliz no plano desportivo. Brilhou ao render Andriy Pyatov no Shakhtar, tendo surpreendido nos palcos principais, como na Champions frente a Inter (0-0 e 0-0) e Real Madrid (3-2 e 2-0), com clean sheets, o que despertou curiosidade entre gigantes europeus.
O guardião foi associado a Manchester United e Chelsea, mas chegou a estar mais perto do Inter, como sucessor de André Onana. Os italianos tentaram baixar o preço, as negociações viveram impasse e foi o Benfica a entrar em cena e a garantir a chegada de Trubin à Luz por 10 milhões de euros, em 2023.
Esta quarta-feira, brilhou de águia ao peito, como herói improvável fora da baliza: subiu à área adversária na sequência de um livre e marcou o golo que permitiu ao Benfica o acesso ao play-off da Champions.
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