Trio português de ‘caça-etapas’ no Giro
A 109.ª edição do Giro, que arranca esta sexta-feira em Nessebar e termina a 31 de maio em Roma, contará com a participação de três portugueses, o estreante António Morgado (UAE Emirates), Afonso Eulálio (Bahrain Victorious), na segunda presença, e o experiente Nelson Oliveira (Movistar), em quarta ocasião.
António Morgado vai debutar aos 22 anos sem «pressão» e com os objetivos de ajudar a equipa e lutar pela conquista de uma etapa. «Se tivermos [UAE Emirates] de controlar a corrida, claro que não vou entrar em fugas, vou estar junto dos meus líderes o mais possível. Mas se me conseguir juntar numa fuga, vai ser super positivo e vou tentar fazer o meu melhor», revelou.
Sobre as perspetivas da equipa sem o compatriota João Almeida, o jovem de Salir do Porto (Caldas da Rainha) disse que «talvez» se dividam entre a luta pela geral e por etapas. «Tínhamos o João [Almeida], era um líder mais consolidado. Agora, temos dois líderes [Adam Yates e Jan Christen]. Vamos ver como é que a corrida se desenrola», esclarece Morgado, reconhecendo a Jonas Vingegaard favoritismo ao triunfo. «Está super forte, mas vamos ver como vai correr. Se há uma equipa que o consegue bater, e a nossa. Já o fizemos…», frisa.
Na equipa Bahrain Victorious, Afonso Eulálio regressa para «ajustar contas» com o Giro e o objetivo de lutar pela vitória numa etapa, e está convicto de que fez a «preparação perfeita» para enfrentar essa meta. O corredor de 24 anos estreou-se na corsa rosa em 2025 e deu nas vistas ao coroar em solitário o icónico Mortirolo, mas dois dias volvidos, durante a 19.ª etapa, desistiu. «Vou desligar-me da corrida e ir por uma etapa. Não escolhi nenhuma, depende das sensações», explicou o figueirense, admitindo que, «quando não for para a fuga», acumulará a tarefa de apoiar Santiago Buitrago, o colombiano que lidera a equipa.
O veterano Nelson Oliveira vai concretizar o desejo de regressar à Volta a Itália, cinco anos depois da última presença (2021). «Fico sempre entusiasmado, é uma grande Volta, há sempre coisas novas. Mesmo sendo a minha 23.ª grande Volta, há sempre algo a aprender. Fico sempre com o bichinho de querer fazer mais e melhor», confessou o fiável corredor da Movistar, indispensável aos mais recentes líderes da equipa espanhola, de Nairo Quintana a Alejandro Valverde, passando por Richard Carapaz, e nos últimos anos, a Enric Mas. «Este ano, o nosso líder Enric Mas decidiu fazer o Giro, mas também estou aqui por gosto pessoal. A equipa deu-me esta oportunidade e gostaria de vencer uma etapa», explicou.
Com nove presenças no Tour e dez na Vuelta, aos 37 anos o experiente corredor de Vilarinho do Bairro (Anadia), não tem dúvida sobre quem será o vencedor deste Giro. «Será muito difícil bater Vingegaard. É o principal favorito, veremos quem será segundo e terceiro», antecipa.