Luís Pinto, treinador do Vitória de Guimarães - IMAGO
Luís Pinto, treinador do Vitória de Guimarães - IMAGO

Tem razões para estar vaidoso

Luís Pinto perdeu quase toda a equipa titular para a estreia na elite do futebol português, mas mantém o Vitória de Guimarães num plano de estabilidade e a lutar por troféus

Apenas duas semanas depois de ter sido goleado pelo Sporting em Guimarães, para a Liga, o Vitória conseguiu dar a volta à equipa de Rui Borges, em Leiria, e garantir a primeira vaga na final da Allianz Cup.

Um apuramento plenamente justificado, com o mérito acrescido de ter sido obtido com reviravolta, sem recurso a prolongamento, perante um Sporting desgastado, mas também desconcentrado, e acima de tudo passivo, como há muito não se via na gestão de um jogo.

Rui Borges tem argumentos fortes para justificar o desaire. Já estava privado de Diomande, Geny Catamo, Salvador Blopa, Gonçalo Inácio, Zeno Debast, Nuno Santos, Mangas, Geovany Quenda e Pedro Gonçalves, ainda teve de gerir os problemas físicos de Ioannidis e Eduardo Quaresma no encontro de ontem. Não explica tudo o que aconteceu em Leiria, mas é atenuante considerável para o treinador leonino, que tem agora de evitar que a ferida fique aberta, até porque o trabalho do departamento médico leonino não está a ficar menos sobrecarregado, o que pode obrigar Frederico Varandas a investir acima do que esperava no mercado de transferências.

Mas o foco, mais do que nos pecados do Sporting, deve estar nos méritos do Vitória. Alioune Ndoye é o novo herói de Guimarães, mas a presença na final de sábado é, acima de tudo, um prémio para a liderança de Luís Pinto. Pela audácia com que os conquistadores encararam os leões — bem patente na forma como não ficaram à espera dos penáltis —, mas sobretudo pela estabilidade que tem conseguido manter em Guimarães.

Galeria de imagens 39 Fotos

O sexto lugar na Liga pouco ou nada diz à grandeza do Vitória, mas enquanto dava os primeiros passos na Liga, aos 36 anos de idade, o técnico viu partir Filipe Relvas, Tomás Handel, Nuno Santos, Toni Borevkovic, Bruno Varela, Tiago Silva, Mikel Villanueva e João Mendes, entre outros.

Embora infeliz ao classificar como vaidosos alguns destes jogadores, que muito deram ao clube, o presidente do Vitória, António Miguel Cardoso, merece também elogios. Pela presença na final da Taça da Liga, mas também pela qualidade do recrutamento do clube, desde logo ao nível dos treinadores. Mas se há alguém com razões para estar vaidoso, independentemente do que suceder no sábado, é Luís Pinto, que perdeu quase toda a equipa titular e mesmo assim mantém a exigente massa associativa do Vitória a sonhar com títulos.