Arran Strong
Arran Strong - Foto: IMAGO

Surfista de 60 anos completa viagem pela costa portuguesa para homenagear amigo desaparecido no mar

José Maria Pyrrait percorreu 900 quilómetros em 'stand up paddle', numa viagem marcada pelo desaparecimento de Arran Strong

O surfista José Maria Pyrrait, de 60 anos, concluiu uma travessia de 900 quilómetros em ‘stand up paddle’ ao longo da costa portuguesa, uma jornada de superação que ficou marcada pela trágica morte de um amigo e que será agora eternizada num documentário.

A aventura, que consistiu em percorrer a distância entre Caminha, no distrito de Viana do Castelo, e Vila Real de Santo António, no Algarve, era um sonho antigo do atleta, motivado pela vontade de se desafiar. «Gosto de sair da minha zona de conforto, de puxar por mim», afirmou Pyrrait à agência Lusa, explicando que a viagem era uma forma de conhecer a costa «de uma maneira mais próxima» e de inspirar outros.

No entanto, a jornada foi abalada pelo desaparecimento do surfista britânico Arran Strong, de 27 anos, a 27 de julho. Strong, que acompanhava Pyrrait na etapa entre a Zambujeira do Mar e a praia de Monte Clérigo, em Aljezur, era considerado «praticamente um filho» pelo surfista português. A tragédia levou-o a ponderar desistir, mas a vontade de honrar a memória do amigo deu-lhe forças para continuar.

«Não foi só uma homenagem, foi mesmo um forçar-me a terminar», revelou. «Eu sabia que ele ia ficar danado se eu não terminasse esta travessia, se ele sentisse que era por causa dele, então, insisti comigo próprio para recomeçar». Após uns dias de pausa e de uma homenagem a Arran, Pyrrait voltou ao mar.

Apesar da dor, o atleta de 60 anos, que completou a viagem na véspera do seu 61.º aniversário, garantiu não ter sentido grandes dificuldades físicas ao longo dos 40 dias no mar, mantendo uma média diária de 25 a 30 quilómetros. «Comecei a treinar artes marciais com cinco anos e sempre tive um lema para a minha vida, que é estar sempre pronto, portanto, estava preparado», assegurou.

Com a travessia filmada do início ao fim, o próximo objetivo de José Maria Pyrrait é produzir um documentário sobre a experiência. O surfista procura agora apoio financeiro para o projeto, que acredita ser inspirador não só pelo seu feito, mas também pelo legado de Arran Strong.

«O maior legado que podemos deixar nesta vida é exatamente o de poder de inspirar e de tocar os outros», concluiu Pyrrait, recordando o amigo. «Apesar de ter morrido aos 27 anos, o Arran deixou um legado incrível, não um legado financeiro, mas um legado de inspiração, de vidas que tocou e de intensidade de vida. Com 27 anos viveu mais do que muitas pessoas com 80 e 90».

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