Sporting já protagonizou reviravolta histórica nesta Champions, ao eliminar o Bodo/Glimt. Foto MIGUEL NUNES
Sporting já protagonizou reviravolta histórica nesta Champions, ao eliminar o Bodo/Glimt. Foto MIGUEL NUNES

Sporting: faz sentido acreditar

É possível ir a Londres eliminar o Arsenal? É, difícil mas possível, mais ou menos como era afastar o Bodo/Glimt após o 0-3 na Noruega. E por isso não tem lógica poupar (de início) para o dérbi

O dilema de Rui Borges é evidente: com Arsenal amanhã, na segunda mão dos quartos de final da UEFA Champions League, Benfica no domingo, para a jornada 30 da Liga, e FC Porto na quarta-feira seguinte, duelo referente à segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, deve o treinador do Sporting dar prioridade a alguma das provas? Ou prescindir de alguma? É viável apresentar o onze mais forte nos três jogos?

Rui Borges parece achar que sim — pelo menos nos dois primeiros jogos. Afinal, teve três dias de descanso após o encontro com o Estrela da Amadora, e terá outros três após o desafio em Londres e antes de receber o Benfica (entre o dérbi e o clássico no Dragão serão só dois, e acredito que por isso possa haver rotação, sim, contra o FC Porto).

Mas não deveria a derrota com o Arsenal, na semana passada, em Alvalade, levar o técnico dos leões a abdicar da Champions, porque as possibilidades de seguir em frente são reduzidas? Para mim, claramente, não. Talvez isso pudesse ajudar um pouco no dérbi, mas essa obsessão com as rivalidades e com o campeonato é um sinal de menoridade que, felizmente, o Sporting decidiu ignorar.

Sim, não será fácil ir ao Emirates, vencer e passar. O supercomputador da Opta, que calcula probabilidades em função das odds das casas de apostas e do próprio ranking de clubes que elabora, dá aos leões apenas 16,5 por cento de hipóteses de vencerem o jogo, e ainda menos, 11,6 por cento, de seguirem em frente (uma vitória por um golo atira o jogo para prolongamento e, se a diferença se mantiver nos 30 minutos extra, para o desempate por penáltis).

Mas depois da derrota com o Bodo/Glimt na Noruega, na primeira mão dos oitavos, as possibilidades eram similares (13,1 por cento) e o Sporting protagonizou reviravolta histórica.

Além disso, é preciso ver o contexto — o leão está apenas pela segunda vez nos quartos de final da Taça/Liga dos Campeões, e abdicar de uma caminhada sem par (há 43 anos, quando chegou a essa fase, apenas teve de eliminar Dínamo Zagreb e CSKA Sófia, antes de cair às mãos da Real Sociedad), com o risco para a imagem europeia que isso poderia acarretar, seria um erro de palmatória.

E depois, dependendo de como as coisas estiverem a correr, Borges pode sempre usar as cinco substituições para descansar jogadores-chave para o dérbi.