SC Braga: «Temos qualidade para lutar com os grandes», diz Pau Víctor
Contratado no verão passado, Pau Víctor chegou ao SC Braga com o rótulo de contratação mais cara da história do clube. Uma das figuras da primeira metade da época dos minhotos, o espanhol não esconde que a vinda para Portugal foi uma escolha consciente e bem ponderada, apesar do interesse de vários clubes no momento da saída do Barcelona. Em entrevista à Marca, o avançado explicou que a confiança transmitida desde o primeiro contacto foi decisiva para aceitar o desafio arsenalista.
«Havia muitas equipas interessadas, mas o SC Braga foi a equipa que mais apostou em mim. Falei com o mister antes de vir e a confiança que depositou em mim foi um ponto de viragem», começou por dizer, revelando ainda a influência de um... ex-V. Guimarães na decisão: «Falei com o Raphinha porque ele tinha jogado em Portugal e falou-me muito bem de tudo. Isso também ajudou.»
Sobre o peso de ter sido a contratação mais cara da história do clube, Pau Víctor garante que nunca sentiu essa pressão. «São 12 milhões, mas também não sou a contratação mais cara da história do futebol. É muito dinheiro, mas não tens de pensar nisso. Trabalhas todos os dias para retribuir essa confiança no campo com golos, assistências e ajudar a equipa», sublinhou.
Depois de um início mais contido, o avançado tem vindo a ganhar protagonismo, somando já oito golos, quatro deles desde dezembro. Apontou a falta de pré-época como o principal entrave inicial: «Pesou-me o facto de não ter feito uma pré-época propriamente dita. Custou-me um pouco ganhar ritmo, sentia-me um pouco lento. Assim que ganhei ritmo, sinto-me com mais confiança e isso também se está a notar.»
«O SC Braga surpreendeu-me. Temos umas instalações incríveis, uma equipa de alto nível e uma equipa técnica muito top. Não tenho dúvidas de que muitos dos jogadores que temos, no futuro, vê-los-emos em grandes equipas», afirmou, deixando também elogios ao treinador: «Carlos Vicens é um grandíssimo treinador. Tenho a certeza de que em pouco tempo se ouvirá falar dele fora de Portugal. Tem uns conhecimentos incríveis e desfrutamos muito do dia a dia e da forma como planeamos os jogos.»
Pau Víctor afirmou, ainda, acreditar que a equipa pode discutir o título com os três grandes, desde que consiga maior regularidade. «Falamos disso muitas vezes. Contra os grandes mostrámos a nossa melhor versão, mas está a faltar-nos regularidade no campeonato para estarmos mais acima. Temos qualidade e equipa para o conseguir», frisou.
«Derrota na Taça da Liga foi o momento mais duro da minha carreira»
A derrota na final da Taça da Liga, frente ao rival V. Guimarães, foi um dos momento marcante, como o próprio admitiu: «Acho que é o momento mais duro que vivi na minha curta carreira. Era um jogo chave, não tanto pelo título, mas pelo que significava para a cidade e para o clube. Passámos um par de dias lixados, sem querer sair de casa, mas temos de seguir em frente e ganhar os próximos jogos.»
Depois de ter sido melhor marcador da Primera RFEF, a terceira divisao espanhola, pelo Barça Atlètic, Pau Víctor não esconde que repetir o feito em Portugal seria especial: «É um desejo poder ser o melhor marcador em Portugal, mas o que me interessa é ganhar. Para ganhar, obviamente, os golos têm de surgir e oxalá os possa marcar eu. Significaria que estou a fazer bem o meu trabalho.»
O Moutinho é um fenómeno. Com a idade que tem, o que continua a fazer no campo é incrível.
Com títulos recentes no currículo – LaLiga, Taça e Supertaça com o Barcelona –, o avançado sublinha a importância de criar uma mentalidade vencedora em Braga. «Quando vim, falei disso com o mister. Entre todos temos de mudar a mentalidade do clube para o fazer crescer. Temos de ter expectativas altas, não querer conformar-nos com o que já temos. O clube tem de aspirar a ganhar títulos», defendeu, destacando, por fim, vários colegas de equipa, com um elogio especial a João Moutinho: «O Moutinho é um fenómeno. Com a idade que tem, o que continua a fazer no campo é incrível. Surpreenderam-me muitos: Lagerbielke, Victor Gómez, Ricardo Horta, Zalazar, Fran Navarro… Não me quero esquecer de ninguém.»