SC Braga: bons arranques não são compatíveis com a Europa
A presença de António Salvador num dos painéis do Football Summit, anteontem, serviu para o presidente do SC Braga assumir que o arranque de Liga de Carlos Vicens na que é a segunda época no comando dos guerreiros do Minho não tem sido o desejado, mas logo aliviou a pressão sobre o espanhol ao defender que, nos anos mais recentes, a entrada nas pré-eliminatórias tem prejudicado «muito» os arranques de campeonato dos arsenalistas.
De facto, as últimas temporadas confirmam o dado apontado por Salvador. Garantir a entrada direta nas competições europeias tem proporcionado resultados bem melhores aos bracarenses na fase inicial de Liga comparativamente às épocas em que tem de trilhar o caminho de qualificação.
Com seis jornadas realizadas (falta acertar o calendário da 2.ª jornada com a receção ao Gil Vicente) na campanha em curso, o SC Braga, que teve de fazer seis partidas para confirmar a presença na fase de liga da UEFA Conference League, só conseguiu vencer metade delas e com dois empates averbados totaliza 11 pontos.
Na época passada, tendo de fazer idêntico percurso, mas na UEFA Europa League (só caíndo nas meias-finais aos pés do Friburgo), o início ainda foi pior e à 6.ª jornada o SC Braga só somava 9 pontos, os mesmos com que dobraria a 7.ª ronda. Antes, em 2024/25, mais seis jogos rumo à UEFA Europa League e os mesmos 11 pontos desta temporada ao cabo de seis jogos (14 depois da 7.ª jornada). Em 2023/24, teve de fazer quatro partidas para garantir a presença na fase de grupos da Champions, apresentando 10 pontos à 6.ª jornada (13 à 7.ª).
Mas eis que recuamos até 2022/23, era Artur Jorge o treinador, e encontramos a última temporada em que o SC Braga teve entrada direta nas provas europeias, no caso na na UEFA Europa League. Resultado: 16 pontos à 6.ª jornada (cinco vitórias e um empate), 19 pontos à 7.ª.
Este choque de Salvador com a realidade, de resto, fê-lo afrouxar a verbalização da ambição da luta pelo título, objetivo que recolocou em cima da mesa aquando da apresentação de Carlos Vicens há pouco mais de um ano — e que depois deu lugar ao sonho de voltar a final europeia, — mas que depois se evaporou do léxico. Porque os arranque de Liga recentes nem de perto nem de longe permitem alimentar essa ilusão. Nesta altura, bons inícios não são (ainda) compatíveis com o caminho mais longo para a Europa.