O português mais cipriota e que jogou sete épocas no Omonia fala do jogo com o Benfica
Renato Margaça, 41 anos, jogou 15 épocas no Chipre, sete das quais no Omonia, no qual ainda trabalhou como diretor da academia antes de voltar a Portugal. Conta a A BOLA como se tornou, provavelmente, o português mais cipriota e também fala dos obstáculos que o Benfica vai encontrar, esta noite, em Nicósia.
— Haverá algum português mais cipriota do que o Renato Margaça?
— Por todos os anos que lá vivi, por ter jogado na seleção do Chipre, por falar grego, devo ser o português mais cipriota, sim. Gosto de lá estar. Respeito muito os cipriotas e o país. Vivi lá muitos anos, o Chipre é espetacular para se viver. Vou lá várias vezes em trabalho ou para visitar amigos.
— Como foi lá parar?
— Joguei no Alverca com o Rui Júnior, defesa-esquerdo, e ele foi para o DOXA e esteve lá um ano. O treinador depois perguntou-lhe que jogadores aconselhava. Estava no Mafra e foram ver um jogo ao Algarve, contra o Louletano. Perguntou-me se queria ir e respondi que sim. Costumo dizer que não sabia como era o Chipre e respondi logo que sim, não fazia a mínima ideia. Mas jogava na II Divisão B e decidi arriscar, até porque iria jogar para a I Divisão. Estive dois anos no DOXA e fui transferido para o AEK Larnaca. As coisas correram bem e fui eleito o melhor defesa-esquerdo do campeonato. Estive depois sete anos no Omonia, fui um dos capitães e o primeiro capitão depois de o Nuno Assis sair. Sou o segundo estrangeiro com mais jogos no Omonia, só fui ultrapassado no ano passado pelo Fabiano [guarda-redes].
— Porque ficou lá tanto tempo?
— Habituei-me muito às pessoas e ao campeonato. Identifico-me com a forma apaixonada como veem os jogos, são loucos por futebol e isso encaixou muito na forma como vivo o jogo e como treino. Depois, o clima é muito bom, a segurança é tremenda e a qualidade de vida é espetacular. Estive também muito tempo num clube que me permitia jogar por competições europeias, pelo campeonato, por taças e supertaças. Fui também convidado a jogar pela seleção do Chipre e isso fez-me ficar por lá. Adoram-me e respeitam-me. Só voltei para estar perto da família e por razões profissionais.
— Cantou os dois hinos quando jogou pelo Chipre contra Portugal, num particular, no Estoril, em 2017?
— Cantei baixinho, para dentro, o hino português. E depois cantei o cipriota. Quis aprender. Considero uma forma de respeito pelas pessoas, pela oportunidade, pelo carinho e pelo amor que recebi e recebo até hoje. Esta semana ligaram-me de rádios e jornais para falar do jogo.
— Para quem não conhece, como é a equipa do Omonia?
— É uma excelente equipa. O nível do futebol no Chipre está mais elevado, há muitos investidores e as equipas estão mais fortes. O Omonia tem duas vitórias na Liga Europa [sobre Celta e Celje]. Defende bem e, depois, tem jogadores rápidos que fazem a diferença no ataque. Mas a diferença para o Benfica ainda é muito grande. Na segunda-feira, jogaram com o Olympiakos Nicósia [2-2] e não correu muito bem. Notou-se algum cansaço do jogo europeu [vitória sobre o Celje por 3-0, na Eslovénia]. E vai notar-se um pouco com o Benfica. Lutam para serem campeões. Duas vitórias na Liga Europa, por outro lado, dão alguma margem. Coulibaly é uma baixa grande na defesa. É muito forte e rápido. Na frente, Ewandro, Tankovic e Montnor são muito rápidos e Diony muito experiente. Vão apostar na velocidade do ataque, mas ficam a perder sem Coulibaly.
— Gostaria de acrescentar alguma coisa que não lhe foi perguntado?
— Tenho a certeza de que os adeptos portugueses vão gostar e serão muito bem recebidos no Chipre. E desejo boa sorte às duas equipas. Gostaria que o futebol cipriota ficasse bem visto.