Margaça no fim do particular entre Portugal e Chipre, no Estoril, em 2017 — Foto: Rui Raimundo
Margaça no fim do particular entre Portugal e Chipre, no Estoril, em 2017 — Foto: Rui Raimundo

O português mais cipriota e que jogou sete épocas no Omonia fala do jogo com o Benfica

Renato Margaça é o segundo estrangeiro com mais jogos no adversário do Benfica na Liga Europa. Jogou pelo Chipre contra Portugal

Renato Margaça, 41 anos, jogou 15 épocas no Chipre, sete das quais no Omonia, no qual ainda trabalhou como diretor da academia antes de voltar a Portugal. Conta a A BOLA como se tornou, provavelmente, o português mais cipriota e também fala dos obstáculos que o Benfica vai encontrar, esta noite, em Nicósia.

— Haverá algum português mais cipriota do que o Renato Margaça?
— Por todos os anos que lá vivi, por ter jogado na seleção do Chipre, por falar grego, devo ser o português mais cipriota, sim. Gosto de lá estar. Respeito muito os cipriotas e o país. Vivi lá muitos anos, o Chipre é espetacular para se viver. Vou lá várias vezes em trabalho ou para visitar amigos.

— Como foi lá parar?
— Joguei no Alverca com o Rui Júnior, defesa-esquerdo, e ele foi para o DOXA e esteve lá um ano. O treinador depois perguntou-lhe que jogadores aconselhava. Estava no Mafra e foram ver um jogo ao Algarve, contra o Louletano. Perguntou-me se queria ir e respondi que sim. Costumo dizer que não sabia como era o Chipre e respondi logo que sim, não fazia a mínima ideia. Mas jogava na II Divisão B e decidi arriscar, até porque iria jogar para a I Divisão. Estive dois anos no DOXA e fui transferido para o AEK Larnaca. As coisas correram bem e fui eleito o melhor defesa-esquerdo do campeonato. Estive depois sete anos no Omonia, fui um dos capitães e o primeiro capitão depois de o Nuno Assis sair. Sou o segundo estrangeiro com mais jogos no Omonia, só fui ultrapassado no ano passado pelo Fabiano [guarda-redes].

— Porque ficou lá tanto tempo?
— Habituei-me muito às pessoas e ao campeonato. Identifico-me com a forma apaixonada como veem os jogos, são loucos por futebol e isso encaixou muito na forma como vivo o jogo e como treino. Depois, o clima é muito bom, a segurança é tremenda e a qualidade de vida é espetacular. Estive também muito tempo num clube que me permitia jogar por competições europeias, pelo campeonato, por taças e supertaças. Fui também convidado a jogar pela seleção do Chipre e isso fez-me ficar por lá. Adoram-me e respeitam-me. Só voltei para estar perto da família e por razões profissionais.

— Cantou os dois hinos quando jogou pelo Chipre contra Portugal, num particular, no Estoril, em 2017?
— Cantei baixinho, para dentro, o hino português. E depois cantei o cipriota. Quis aprender. Considero uma forma de respeito pelas pessoas, pela oportunidade, pelo carinho e pelo amor que recebi e recebo até hoje. Esta semana ligaram-me de rádios e jornais para falar do jogo.

— Para quem não conhece, como é a equipa do Omonia?
— É uma excelente equipa. O nível do futebol no Chipre está mais elevado, há muitos investidores e as equipas estão mais fortes. O Omonia tem duas vitórias na Liga Europa [sobre Celta e Celje]. Defende bem e, depois, tem jogadores rápidos que fazem a diferença no ataque. Mas a diferença para o Benfica ainda é muito grande. Na segunda-feira, jogaram com o Olympiakos Nicósia [2-2] e não correu muito bem. Notou-se algum cansaço do jogo europeu [vitória sobre o Celje por 3-0, na Eslovénia]. E vai notar-se um pouco com o Benfica. Lutam para serem campeões. Duas vitórias na Liga Europa, por outro lado, dão alguma margem. Coulibaly é uma baixa grande na defesa. É muito forte e rápido. Na frente, Ewandro, Tankovic e Montnor são muito rápidos e Diony muito experiente. Vão apostar na velocidade do ataque, mas ficam a perder sem Coulibaly.

— Gostaria de acrescentar alguma coisa que não lhe foi perguntado?
— Tenho a certeza de que os adeptos portugueses vão gostar e serão muito bem recebidos no Chipre. E desejo boa sorte às duas equipas. Gostaria que o futebol cipriota ficasse bem visto.

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