Renato Sanches: o quarto português ‘esquecido’ do PSG
Nos últimos anos, falar do quarteto português do PSG significava falar de três titulares — Vitinha, João Neves e Nuno Mendes — e de um suplente de luxo — Gonçalo Ramos. O avançado já saiu para o Milan, mas a pré-época do bicampeão europeu continua a contar (pelo menos nos livros) com quatro portugueses, sendo Renato Sanches o último deles.
Não é de admirar que passe quase despercebido o facto de o vencedor do prémio Golden Boy em 2016 ainda estar ligado ao PSG. Afinal, não joga pelo clube há mais de três anos e passou as últimas três épocas em três diferentes equipas, por empréstimo.
Assim, o futuro do médio de 28 anos não passa pelos parisienses: Luis Enrique não conta com ele e o maior sinal disso foi dado ontem: segundo noticiou o Le Parisien, o técnico espanhol colocou Sanches a treinar à parte da equipa principal e preferiu chamar jovens da formação.
Randal Kolo Muani, Naoufel El Hannach, Yoram Zague e Noah Nsoki estão na mesma situação de Sanches, que procura assim dar um novo rumo à carreira, sendo que ainda tem um ano de contrato com os parisienses.
Percurso muito acidentado
O PSG contratou Renato Sanches ao Lille em 2022 por 15 milhões de euros. A qualidade do médio, campeão da Europa em 2016, não costuma ser posta em causa, mas as quase incontáveis lesões é que têm marcado os 10 anos de carreira do jogador ao mais alto nível. Deste modo, não é de admirar que o PSG o tenha contratado após uma época em que fez 32 jogos, valor mais alto desde a temporada de estreia no Benfica, onde fez 35 jogos.
O percurso em Paris só durou uma época: 27 jogos, dois golos marcados e cinco pausas por problemas musculares. Assim começou a roda de empréstimos (que ainda não parece terminar).
A passagem pela Roma de José Mourinho em 2023/24 foi para esquecer. As lesões foram incessantes e o médio só fez 12 jogos, valendo na altura lamentos do técnico: «O Renato Sanches está sempre em risco de lesão. É difícil entender. Não perceberam porquê no Bayern, não perceberam no PSG e nós estamos a tentar entender o porquê.»
Seguiu-se um regresso ao Benfica, marcado por quatro lesões. No final da época, as águias, sem surpresa, não acionaram a opção de compra que detinham, no valor de 10 milhões de euros. A última aventura de Sanches foi no Panathinaikos, onde se reencontrou com Rui Vitória, que o lançou no Benfica.
Com 28 anos e uma carreira peculiar, tendo já jogado em três campeões europeus, o seu futuro ainda é uma incógnita, enquanto está na chamada flor da idade para um futebolista. Resta saber se esta saga de empréstimos vai terminar ou se, eventualmente, PSG e Renato vão rescindir contrato. Certo é que o português se prepara para assinar por um oitavo clube na carreira (isto se não regressar a nenhum dos emblemas que já representou).